Manifestações reforçam luta contra Aids
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terça-feira, 02 de dezembro de 2003
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A maioria das pessoas está cansada de saber, através de propagandas, aulas nas escolas e distribuição de material de conscientização pelas Organizações Não-Governamentais (ONGs) o que deve ou não fazer para se prevenir contra a Aids. Apesar disso, o número de casos na Região Sul considerada uma das mais avançadas do País tem apresentado uma leve tendência de crescimento, junto com o Norte e Nordeste. Já nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, os números têm se mantido estáveis. Com isso, garantem uma queda na média geral brasileira. De 25 mil novos casos por ano registrados nos anos 90, os disgnósticos caíram para 22 mil por ano atualmente.
''A doença estabilizou entre os grupos que antes eram considerados mais vulneráveis, como homossexuais e prostitutas, mas a incidência da doença está sofrendo algumas mudanças. Por isso é importante guardar umas palavrinhas: interiorização, feminilização, juvenilização, heterossexualização e pauperização'', diz o presidente do Grupo Dignidade, Toni Reis.
Ele explica que a Aids, que era comum nas grandes cidades, hoje está presente em mais de três mil municípios do País. A proporção de mulheres atingidas no Paraná está em um caso para cada dois novos diagnósticos em homens, quando antigamente a prevalência era basicamente masculina. Com o início da vida sexual cada vez mais precoce, a Aids também cresceu entre os jovens a partir de 17 anos. A classe baixa, menos abastecida de informações, também viu os casos crescerem nos últimos anos; assim como entre os heterossexuais, que se acham mais seguros e, comumente, não usam preservativos.
Para conscientizar a população de que a Aids ainda é considerada uma epidemia, e deve ser tratada com cautela por toda a população, o mundo todo assistiu a uma série de manifestações, realizadas ontem, no Dia Mundial de Prevenção e Luta contra a Aids. Em Curitiba, uma série de atividades foram realizadas na Boca Maldita, com a participação de ONGs, Centro Paranaense da Cidadania (Cepac) e Secretaria Municipal de Saúde. O que mais chamou a atenção da população foi uma ação da Polícia Militar (PM), que desceu o Edifício Tijucas de rapel, a partir do 12º andar, desenrolando um grande banner de 20 metros de cumprimento com o laço vermelho, símbolo internacional da solidariedade com a causa da Aids.
Conforme dados do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde, para cada caso notificado de Aids, estima-se que haja mais cinco pessoas soropositivas para o HIV mas que não desenvolveram a doença. Dessas, muitas nem sabem que são infectadas. Daí a importância da ampliação da oferta de testagem gratuita e sigilosa, como já vem ocorrendo em Curitiba há dois anos.
As organizações também se preocupam com a falsa noção da população de que a Aids não é mais uma doença mortal. Essa idéia surgiu com a evolução do tratamento para a Aids (a terapia anti-retroviral, ou coquetel), que elevou a sobrevida dos doentes para até 20 anos. ''Mas continua sendo uma doença mortal. Não dá para confundir tratamento com cura'', alerta Reis.


