Manifestações marcam o 7 de setembro
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de setembro de 1997
Agência Folha São Paulo 
Arquivo FolhaCivismoCriança sem-terra participa do desfile do Dia da Independência no ano passado, em fazenda ocupada, em PlanaltinaA política econômica do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso será o alvo principal das críticas dos manifestantes que participam hoje do 3º Grito dos Excluídos, programado para acontecer em 800 cidades do País. O ato é promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Central de Movimentos Populares (CMP).
Apesar de tentar descaracterizar o Grito como um protesto contra FHC, os organizadores já colocaram na programação oficial do ato cartões vermelhos para a política econômica do governo, o desemprego e a compra de votos, entre outros temas. Ainda segundo o roteiro oficial do ato, as entidades vão cobrar do governo reforma agrária integral, emprego para quem quer trabalhar e recursos para a saúde e a educação.
A principal manifestação do Grito acontecerá em frente ao santuário de Aparecida (170 km a noroeste de São Paulo). Antes do ato, haverá uma missa celebrada pelo cardeal de Aparecida, dom Aloízio Lorscheider.
Entre os líderes de oposição ao governo FHC que deverão comparecer ao ato estão o petista Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da CUT, Vicente Paulo da Silva, e o coordenador do MST José Rainha. O Grito foi responsável pelo último atrito entre a Igreja Católica e Fernando Henrique Cardoso. Ao saber que os manifestantes pretendiam dar um cartão vermelho para seu governo, o presidente afirmou que a solução dos problemas sociais não vai sair da batina ou do boné. Em resposta, dom Demétrio Valentini, da Pastoral Social da CNBB, disse que FHC deveria sofrer de petulância do intelectual.
O bispo dom Pedro Casaldáliga, expoente da chamada ala progressista da Igreja Católica, disse que o Grito dos Excluídos é também contra a altíssima corrupção, até no Congresso, referindo-se às denúncias de compra de votos de parlamentares. O bispo, da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT), considerou que a manifestação vai contra a política visceralmente neoliberal de Fernando Henrique Cardoso.
Para o bispo, a política econômica do governo federal prejudica a maioria e não paga a dívida social. O governo se preocupa só com a estabilidade da moeda e reduz seu compromisso social, diz. Segundo Casaldáliga, a impunidade no caso das denúncias de compra de votos se contrapõe à tentativa de fazer José Rainha (líder do MST) um vilão. Para ele, a Justiça só pune os mais pobres. Nunca apareceu uma pessoa rica aqui na cadeia de São Félix, disse.


