Manifestação reúne vítimas do Palace 2
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2002
Clarissa Thomé Agência Estado 
Rio - Um bolo de quatro metros de comprimento marcou ontem o quarto aniversário do desabamento parcial do edifício Palace 2, na zona oeste do Rio, em que oito pessoas morreram e centenas ficaram desabrigadas. Os ex-moradores decidiram partir um bolo em frente ao fórum carioca para lembrar que o episódio não terminou em pizza. Sempre disseram que tudo acabaria em pizza, como ocorreu com as vítimas do Bateau Mouche e da queda do Viaduto Paulo de Frontin. Mas isso não ocorreu conosco porque lutamos muito e ficamos unidos, afirmou a presidente da associação das vítimas do Palace 2, Rauliete Barbosa Guedes, referindo-se ao acordo de R$ 30 milhões firmado entre os ex-moradores e o deputado cassado Sérgio Naya, construtor do prédio.
O bolo também serviu para homenagear o menino Flávio Matheus Borges Moura Santos, de quatro anos, que tinha apenas um mês quando parte do Palace desabou. A mãe dele, Jussara Borges Santos, de 44 anos, levava o menino no colo quando o edifício começou a ruir. Ela correu para escapar dos pedaços de concreto que se soltavam, tropeçou e deixou o bebê cair no chão. A poeira sufocou Matheus, que foi socorrido num hospital da Barra da Tijuca. Meu filho nasceu de novo. Ele tem duas datas de aniversário, diz Jussara, que vive com o marido, a filha de 15 anos e Matheus num dos quartos do hotel Atlântico Sul pagos por Naya desde o desabamento.
Confeccionado com 50 quilos de farinha, 150 dúzias de ovos, 30 quilos de açúcar e 100 quilos de baba-de-moça e doce de leite, o bolo provocou brincadeiras. A massa é mais firme que o prédio construído por Naya , ironizou o gerente da lanchonete que preparou o doce, Severino Ramos.
Houve quem dissesse que era uma alusão ao bolo de dinheiro que o deputado cassado terá de desembolsar.
Mas a manifestação ganhou tom dramático quando Rauliete Barbosa e ex-moradores discursaram. Eles narraram o momento do desabamento e lembraram os oito mortos. Aqui não é festa, não é alegria. É soma de sofrimento disse Rauliete. Naya tem até 25 de abril para pagar as indenizações a 120 famílias.


