Curitiba, 17 (AE) - Professores do Estado do Paraná, estudantes, sem-terra e sindicalistas fizeram uma manifestação hoje, em frente ao Palácio Iguaçu, no Centro Cívico, em Curitiba. Eles protestaram pelos baixos salários, pediram o fim da violência contra os sem-terra e criticaram os governos federal e estadual. O governador Jaime Lerner, que voltou ontem (16) dos Estados Unidos, não recebeu os manifestantes. A Polícia Militar calculou em três mil o número de manifestantes, os estudantes disseram haver cerca de 10 mil no local.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Professores, Romeu Miranda, a reunião de todas as categorias no mesmo local "foi uma coincidência". Um protesto nacional havia sido convocado pelo Fórum Terra, Trabalho, Cidadania e Soberania, enquanto os professores tinham o dia 17 de junho como aniversário da entrega do Plano de Cargos, Carreira e Salários na Assembléia Legislativa. Os professores participaram da sessão e obtiveram a promessa de que o projeto será examinado.
Da Assembléia, os professores foram para a Praça Nossa Senhora de Salete, em frente, onde reclamaram um reajuste de 29 48% nos salários. O governo estadual respondeu que o reajuste não pode ser concedido porque o Estado já compromete 75% da receita líquida com a folha de pagamento.
Na praça, eles se uniram aos estudantes da rede pública, que discursavam contra os governos federal e estadual. "Nosso desafio principal será, daqui para frente, buscar a unidade com todos os setores sociais em uma única bandeira: Fora FHC", disse o presidente da União Paranaense de Estudantes, Fernando Delicato.
Os sem-terra, que estão há dez dias acampados na praça, apenas fizeram número na manifestação. Eles receberam o apoio de estudantes e professores para as causas que defendem, principalmente o fim da violência nos acampamentos e desocupações de terras. Os pequenos agricultores nem foram ao Centro Cívico. Eles haviam estado na quarta-feira na Assembléia Legislativa, onde pediram a aprovação do Fundo Público de Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura Familiar (Fundaf). Hoje tiveram audiência na Secretaria Estadual da Agricultura.
Do outro lado da praça, cerca de 150 servidores municipais protestaram em frente à prefeitura de Curitiba. Eles reclamavam contra a reestruturação do Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores de Curitiba (IPMC), que será dividido
ficando responsável apenas pelo setor previdenciário. Para a saúde, será criado o Instituto Curitiba de Saúde, o que deve aumentar os descontos mensais. Os servidores reclamam maior participação nas discussões.

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