Manifestação pede segurança no trabalho
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quinta-feira, 28 de abril de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O Dia Mundial para a Segurança e Saúde no Trabalho foi marcado ontem como uma manifestação popular e sindical na Boca Maldita, centro de Curitiba. Os manifestantes pediram a atenção das autoridades políticas brasileiras para a falta de segurança em empresas. Conforme dados da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), 216 trabalhadores paranaenses morreram em acidentes de trabalho em 2003 e 812 ficaram permanentemente incapacitados. No total, foram registrados mais de 30 mil acidentes de trabalho no Paraná. Destes, 85,5% foram acidentes no ambiente de trabalho; 10,9% acidentes de trajeto; e 3,3% doenças de trabalho.
O metalúrgico Jurandir Ribeiro Cordeiro, 38 anos, passou recentemente por uma cirurgia por conta do trabalho na linha de montagem de uma montadora multinacional. Os tendões do ombro inflamaram e os ossos ficaram desgastados. Ele perdeu 50% da movimentação dos braços e está afastado do trabalho há três anos e quatro meses. ''Não aguento trabalhar. Dói muito meu ombro e meus movimentos estão comprometidos'', reclama Cordeiro.
O operador de máquina Sebastião Miguel da Silva, de 42 anos, teve tendenite no ombro por causa do esforço que fazia com a produção de vidro, tampões de mesas e peças de 20 e 70 quilos. Ele trabalhou seis anos com vidro e teve que ficar afastado. O problema foi agravado com um tumor descoberto no intestino. Já há um ano fora do trabalho, Silva demonstra preocupação: com o benefício interrompido, ele teve que entrar com recurso para garantir o pagamento do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).
O responsável pelo setor de almoxarifado de uma multinacional de cartões de crédito, Fábio Antonio da Silva, de 30 anos, conhecido como ''Carioca'', também se preocupa. Teve hérnia discal e o diagnóstico foi doença de trabalho que não garante estabilidade de um ano para quem for afastado. ''O perito me disse que sou gordo e saudável e que terei que, em breve, voltar a trabalhar. Estou quase excluído da sociedade. Se eu voltar ao trabalho, vou para rua. Ninguém vai querer manter uma pessoa com Lesão por Esforço Repetitivo (LER) no emprego'', desabafa ele.
O motorista de caminhão Ilísio Felipe, de 54 anos, está com artrose na coluna. Há três meses afastado, o caminhoneiro teme um futuro nada positivo. ''Tenho uma doença que foi adquirida por causa do peso que carrego e descarrego diariamente do caminhão da empresa que trabalho. Não sei o que vai acontecer comigo. Sinto dores dia e noite e queria poder voltar para trabalhar. Mas sei que não posso. Dói tudo'', relata.


