Manifestação em defesa do Pró-álcool reúne 6 mil em Brasília
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segunda-feira, 31 de maio de 1999
Por Soraya de Alencar e Nelson Breve 
Brasília, 01 (AE) - Seis mil trabalhadores do setor sucro-alcooleiro de todo o País fizeram hoje uma passeata na Esplanada dos Ministérios reivindicando a revitalização do Pró-álcool para garantir 1,2 milhão de empregos. O ponto alto da manifestação foi quando o ministro do Trabalho e do Emprego, Francisco Dornelles, atendeu ao chamado de sindicalistas, subiu no caminhão da passeata e discursou em apoio à manifestação. "Os que têm compromisso com o emprego, têm compromisso com o Pró-álcool", afirmou o ministro.
Segundo Dornelles, o aumento da mistura de álcool à gasolina não cria problemas para as montadoras. Esta é uma das reivindicações dos trabalhadores e significa elevar de 24% para 26% a mistura do álcool à gasolina. No caso do diesel, que hoje não tem mistura de álcool, a idéia dos sindicalistas é que o governo obrigue a adição de 3% de álcool ao combustível.
Com a manifestação, os trabalhadores comemoraram o Dia Nacional de Luta Pelo Emprego e Produção. Parados em frente ao Congresso Nacional depois de percorrer um lado inteiro da Esplanada carregando faixas e bandeiras, eles também pediram que os governos - municipais, estaduais e federal - formem frotas verdes. Ou seja, todos os seus carros sejam a álcool. Os trabalhadores também insistem que o governo compre um total de 2 bilhões de litros de álcool já produzidos. A compra, no entanto, estaria condicionada à garantia de que as indústrias não demitirão seus trabalhadores.
O presidente da Força Sindical e do Sindicato dos Metalúgicos de São Paulo, Paulo Pereira da Silva, defendeu ainda que o governo pressione as montadoras para que elas retomem a fabricação de carros a álcool. Ele prometeu que, a partir da próxima semana, os trabalhadores do setor sucro-alcooleiro farão manifestações em frente às montadoras. "Se tudo que pedimos não for resolvido rápido, vamos ter o aumento do desemprego no setor", advertiu.
Segundo o presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas de São Paulo, Danilo Pereira
em algumas regiões de produção, como nos municípios de Presidente Prudente, em São Paulo, os empregados de usinas estão recebendo o salário em álcool. Ele disse também que, mesmo assim
ainda há atrasos pois não foram pagos o salário de novembro nem o 13º.
O secretário de Recursos Hídricos do governo do Estado de São Paulo, Mendes Thame, pediu que, para demonstrar o apoio à revitalização do Pró-álcool, os usineiros de todo o País andem de carro a álcool e não em veículos importados. O governo paulista já decidiu formar a sua frota verde e admite a redução de impostos como o IPVA e ICMS dos carros.
No último dia 19, produtores, fornecedores e trabalhadores do setor de álcool tiveram uma reunião com o presidente Fernando Henrique Cardoso e com os ministros das Minas e Energia, Rodolfo Tourinho, e do Desenvolvimento, Celso Lafer. No encontro ficou decidido que a fiscalização das empresas do setor será mais rigorosa. No próximo dia 21, está prevista um encontro dos produtores, fornecedores e trabalhadores com o governador Mário Covas e os ministros Tourinho e Lafer. Além de uma avaliação sobre a manifestação de Brasília, será decidida a forma de abrir um diálogo com as montadoras de São Paulo para o aumento da produção dos carros a álcool.


