Manifestação em Curitiba pede paz no campo
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2005
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba Uma celebração pela paz no campo, realizada ontem à noite na Cúria Metropolitana de Curitiba, lembrou o 10º dia do assassinato da freira norte-americana Irmã Dorothy Stang, no Pará. A solenidade, que foi organizada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Paraná, pela Conferência dos Religiosos do Brasil e pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, mostraria números da violência no campo em todo o País e especificamente no Pará e Paraná.
''Queremos chamar a atenção para o fato triste que aconteceu com a Irmã Dorothy e trazer a conhecimento de todos o problema da violência no campo e a ausência de soluções para isso. A morte da Irmã foi um testemunho forte da realidade. E no Paraná precisamos abrir os olhos para que coisas assim não aconteçam'', afirmou o Arcebispo de Curitiba, Dom Moacir Vitti. Números da CPT-PR dão conta que de 1980 a 2004 no Estado aconteceram 49 assassinatos no campo e 56 tentativas de assassinatos. Outras 119 pessoas estão ameaçadas de morte. Neste mesmo período, de acordo com a CPT-PR, 106 pessoas foram torturadas e 641 sofreram algum tipo de lesão corporal.
Esses números, segundo o secretário executivo da CPT-PR, Jelson Oliveira, mostram que o Paraná ainda é um grande foco de conflitos agrários violentos. ''Mas já foi pior. Na época do governo Jaime Lerner (PSB) o Paraná era considerado um dos piores estados do Brasil em termos de violência no campo. E desde 1980 nunca nenhum assassino ou mandante foi para a cadeia'', afirmou Oliveira. Segundo ele, entre 1995 e 2002, período do governo Lerner, aconteceram 16 do total de assassinatos, 31 do total de tentativas de assassinato, 529 das 641 prisões, 325 do total de vítimas de lesão corporal e 49 das 119 ameaças de morte.
Os números da violência no Pará, que estão recebendo ampla divulgação nos últimos dias, também foram relembrados pela CPT-PR. Lá, entre 1980 e 2004, aconteceram 561 assassinatos, o que representa cerca de um terço de todas as mortes no campo no Brasil, sendo que apenas sete pessoas foram condenadas e apenas uma delas se matém em prisão domiciliar.


