Curitiba- Acabou em pancadaria uma manifestação do Greenpeace ontem pela manhã em Curitiba. Integrantes do grupo ativista, conhecido em todo o mundo por defender o meio ambiente, foram agredidos por seguranças do supermercado Carrefour Champagnat, quando tentavam colocar cartazes informando a presença de produtos derivados de transgênicos expostos nas prateleiras. A ação faz parte da campanha ''Brasil melhor sem transgênicos'' que o Greenpeace realiza contra o uso de organismos geneticamente modificados.
A ação causou revolta geral. Clientes que estavam no supermercado, além dos ativistas do Greenpeace e jornalistas que cobriam a ação, ficaram retidos no local durante 20 minutos. Assim que afixaram os primeiros cartazes nas prateleiras de óleos de soja e bebidas lácteas a base de soja, seguranças foram em direção dos ativistas ao todo 16 mais cerca de dez simpatizantes. Seguranças e funcionários do Carrefour tentaram confiscar equipamentos de cinegrafistas e fotógrafos.
O repórter fotográfico da Folha, José Evaldo Suassuna, teve a lente da máquina que usava danificada. Theo Marques, fotógrafo do Jornal do Estado, teve o cartão de memória de sua própria câmera confiscado. O cinegrafista do Greenpeace, Hans Rosero, e a fotógrafa da Gazeta do Povo, Aniele Nascimento, não tiveram equipamentos danificados, mas foram agredidos por funcionários e seguranças que tentavam expulsá-los do supermercado.
O cinegrafista do Greenpeace sofreu um corte próximo da sombrancelha em virtude da pancada que levou. ''Eu estava filmando e vi que um funcionário veio em minha direção. Ele tentou retirar a câmera e eu recuei, na tentativa de me defender. Então, ele veio por trás, deu um soco contra a câmera, que bateu direto no meu olho'', contou o cinegrafista.
Questionado sobre a possibilidade de recorrer à Justiça contra o Carrefour, Rosero informou que esta não é a intenção do Greenpeace. ''Somos pacíficos. Queremos apenas orientar a população do que lhes é escondido.''
Os consumidores ficaram assustados e se revoltaram com a situação. ''Apóio totalmente a atitude do Greenpeace. Acho a ação excepcional e que deveria ocorrer em todos supermercados pois nunca sabemos o que estamos consumindo. A atitude agressiva deles (funcionários e seguranças) demonstra a agressão que nós sofremos, em consumir o que desconhecemos a procedência. Se os transgênicos fossem identificados, eu não os consumiria'', comentou a designer Adriana Klenowski.
Assim que expulsou os ativistas e os jornalistas do local, a gerência do Carrefour acionou a Polícia Militar (PM). Depois da chegada de três viaturas da PM, chegaram também os advogados do Greenpeace e do Carrefour, Marcos Luz e Emerson Laurenti, respectivamente.
Depois de muito diálogo, intermediado pela PM, tanto o Greenpeace quanto o Carrefour decidiram não levar o episódio à Justiça. A PM registrou boletim de ocorrência. Isso não significa que nenhuma das partes envolvidas possa recorrer à Justiça no futuro. ''Somos uma organização pacifista. Não vamos fazer nada contra o Carrefour'', declarou Marcos Luz. ''O Carrefour jamais foi nem será contra qualquer atividade do Greenpeace e, por enquanto, não deveremos entrar com qualquer representação'', disse Emerson Laurenti.

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