Londrina - Uma manifestação reuniu cerca de mil professores e funcionários de escolas estaduais na manhã de ontem em Londrina. Organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato), a passeata iniciou no Calçadão e seguiu até a sede do Sistema de Assistência à Saúde (SAS), que fica na esquina das ruas Souza Naves e Pará.
A passeata interrompeu por alguns minutos o tráfego na Souza Naves, o que provocou reclamações de motoristas. Um deles, que não quis dizer o nome, criticou a ação. ''Nada justifica a interrupção do trânsito'', alegou.
Já o auxiliar de manutenção de máquinas Rodrigo dos Santos, de 27 anos, defendeu os manifestantes. ''É justo que os professores protestem por melhorias. Os motoristas precisam ter paciência porque os benefícios vão atingir a todos'', avaliou.
A categoria reivindica reajuste salarial de 14,13%, plano de carreira, vale-transporte, incentivo à graduação e pós-graduação e melhoria no atendimento pelo SAS. ''A demora para marcar uma consulta é de três a quatro meses. Os professores têm muitos problemas psicológicos por conta da pressão em sala e em alguns casos não é possível esperar tanto pelo atendimento'', declarou Rosalina dos Santos, uma das organizadoras da manifestação.
O professor Eduardo Tolomeotti acrescentou que as salas superlotadas, a estrutura precária e o número reduzido de funcionários administrativos e de limpeza sobrecarregam os trabalhadores.
De acordo com as professoras Cláudia Brandão Pires e Gisele Fátima Cardoso, a saúde é um das principais preocupações, tanto fora quando dentro da sala de aula. ''Somos criticadas se precisamos nos ausentar por motivo de saúde'', apontou Cláudia. Elas lembraram que por conta da hora-atividade reduzida é preciso levar muito trabalho para casa. ''O professor é a base de todas as outras profissões e o nosso salário precisa ser compatível com essa importância'', destacou Gisele.
Tolomeotti explicou que o piso salarial do professor do Paraná está 18,55% abaixo do piso nacional. Além disso, a categoria pleiteia o pagamento de 33% de hora-atividade - atualmente recebe 20%. ''O governo estadual propôs um reajuste de 19,55% até o final do ano para professores. Este valor alcança o piso, mas queremos o pagamento retroativo até maio'', explicou.
Para os funcionários, a proposta do Estado é de reajuste de 5%, mas a categoria exige 14,33%.

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