Manifestação de juízes reúne 150 pessoas em Curitiba
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quarta-feira, 03 de novembro de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 04 (AE) - Cerca de 150 pessoas, entre juízes, promotores e advogados, participaram hoje à tarde de uma manifestação em frente ao Fórum Cível de Curitiba, no Centro Cívico. Depois de aproximadamente uma hora de discursos, eles seguiram até o centro da cidade, onde houve apresentação de uma peça teatral. Alguns passaram a tarde conversando com populares. Os trabalhos judiciais ficaram parados durante o ato.
"Essa manifestação é um repúdio da comunidade jurídica à perseguição odiosa que vem sofrendo", discursou o presidente da Associação dos Magistrados do Paraná (AMP), Ruy Fernando de Oliveira. Um desenho pregado à parede do fórum mostrava o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL/BA) com as mãos sujas jogando lama sobre o símbolo da Justiça, que tinha a amordaçá-la uma figura representando o presidente Fernando Henrique Cardoso. Atrás dele, macacos tapavam os olhos, os ouvidos e a boca.
"O que está havendo é que o Poder Executivo, através de medidas provisórias, e o Legislativo, através de emendas constitucionais espúrias, estão se pondo no lugar do Poder Judiciário, estão querendo substituir o Judiciário", reclamou Oliveira. "Se não impedirmos isso, quem perde é o povo." Segundo ele, o "amesquinhamento da remuneração" dos juízes é uma das formas de destruição do Judiciário. "Não querem que haja quadros bons." Para o presidente da AMP, está havendo uma "campanha sistemática" para desprestigiar o Judiciário. "Aí crescem as possibilidades de não serem apurados fatos de grandes grupos econômicos, de grandes instituições internacionais e é claro que isso interessa aos poderosos do momento", disse. "Na medida em que se enfraquece o Judiciário, eles têm mais chances de agir politicamente."
Segundo Oliveira, o Paraná possui 530 juízes, embora necessitasse de 1.300 para prestar um serviço mais adequado. "Mas parece que isso não interessa", afirmou. "Há projetos de aumento engavetados na Assembléia Legislativa." O presidente da seccional paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil, Edgar Cavalcante de Albuquerque, também esteve presente ao ato. "Em toda minha vida jamais vi um ato como este", disse. "Os juízes não estão acostumados a se defender, mas a julgar." Em outras cidades paranaenses também houve manifestação por algumas horas.


