''Se o empresário de São Paulo ou de qualquer outro estado ou país vê isso, vai pensar: 'Por que vou abrir portas em Londrina, se há gente fechando?'''. A análise foi feita ontem pelo prefeito Nedson Micheleti (PT), a respeito da manifestação ''Chega de Luto'', que acontece hoje, a partir das 10 horas, entre comerciantes da área central e entidades civis. A posição foi defendida ao longo do dia em entrevistas concedidas a veículos de comunicação.
À FOLHA, Nedson se disse ''preocupado'' com o impacto gerado pela publicidade do fato no que diz respeito à atração de novas empresas. Comandados pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), os comerciantes prometem fechar ou abrir pela metade as portas dos estabelecimentos a partir do horário marcado. O argumento é a onda de violência que assola a cidade - quase 50 homicídios, só este ano, além dos constantes casos de assaltos a lojas e residências.
Para o prefeito, o ato ''é justo, é um direito desses cidadãos'', mas, na avaliação dele, estaria usando formas equivocadas de expressão. ''Tenho ponderado pelo fato de misturarem as coisas: isso poderia até ser uma manifestação de cidadania, mas é bem diferente envolver a empresa, a marca, enfim, o empreendimento, ao fechá-lo'', disse, para completar: ''Fechamento de comércio com esse fim é um sinal negativo para novos investimentos e geração de empregos''.
De acordo com o prefeito, ''a mídia nacional'' que a notícia de uma manifestação do gênero pode obter é ''perigosa''. ''E é preocupante, pois, por pior que estivesse a segurança aqui, ainda está mil vezes melhor que em muitos lugares. Além do mais, os comerciantes poderão até afastar clientes'', reforçou. Questionado sobre a possibilidade de desgaste político, Nedson garantiu não tê-lo como preocupação. Também negou que frear protestos do gênero gerem uma 'maquiagem' a Londrina, diante de futuros novos investidores. ''As pessoas que vêm para cá sabem como é Londrina, e que aqui é muito melhor que outros lugares, não esse exagero que estão falando''.
O presidente da Acil, Rubens Augusto, discordou do prefeito. Na opinião dele, empresário interessado em qualquer cidade do mundo pesquisa antes sobre a cidade e não é influenciado por um protesto. ''É um movimento positivo, pois quer justamente melhorar a segurança. Consequentemente, mais gente virá para cá - ao invés de sair, devido à violência''.

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