Maníaco do Parque é ameaçado de linchamento
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de agosto de 1998
Agência Estado 
O motoboy Francisco de Assis Pereira acusado de ter assassinado nove mulheres e violentado outras dez nas matas do Parque do Estado, em São Paulo, está desde a tarde de ontem numa cela individual do anexo da Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté. A transferência foi solicitada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e autorizada pelo juiz da Vara das Execuções Criminais, Octávio Augusto de Barros Filho. Os delegados que investigam os crimes de Pereira acreditam que, longe da capital, ele estará seguro e assim poderão concluir com calma as investigações e os inquéritos.
Algemado, Pereira percorreu ao lado de dez policiais o corredor principal de entrada do Palácio da Polícia em direção à Rua Brigadeiro Tobias. No trajeto foi vaiado por dezenas de funcionários da Polícia Civil. Na porta do prédio, antes de entrar numa caminhonete Blazer do Departamento de Homicídios, houve tentativa de agressão por parte da população. Pereira foi vaiado por cerca de 200 pessoas que gritavam assassino e tem de morrer.
Algumas pessoas mais exaltadas jogaram um guarda-chuva e um sapato masculino na direção do maníaco. De cabeça baixa, o maníaco foi colocado na caminhonete. No caminho para Taubaté, Pereira disse ao delegado Alves que ficou com medo de ser morto.
Pela manhã, ele mostrou aos delegados e investigadores, num mapa do Parque do Estado, o provável local onde teria deixado o corpo de Pituxa, que diz ter sido sua primeira vítima. O crime, segundo Pereira, ocorreu em novembro do ano passado, quando ele começou a matar. Os policiais civis estiveram ontem com os militares do Comando de Operações Especiais (COE) nas matas e não encontraram o corpo.
O motoboy explicou que o mato deve ter coberto o corpo de Pituxa, que seria morena clara, alta e de cabelos compridos. Ontem, ele afirmou que a moça teria entre 18 e 20 anos e não 15, como declarou anteriormente.
Pereira chegou à Casa de Custódia às 14h30. Cerca de mil pessoas aguardavam a entrada do motoboy na prisão. Os curiosos pediam a morte de Pereira e quase viraram um carro da Coordenadoria dos Estabelecimentos Penitenciários (Coespe).


