Mangueira investigada por fechar passagem secreta
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sábado, 09 de fevereiro de 2008
Pedro Dantas<BR>Agência Estado 
Rio- A diretoria da Mangueira será investigada por ter fechado com cimento a passagem secreta, encontrada pela polícia há um mês, ligando o camarote da diretoria da Bateria na quadra da escola à uma casa na favela. Traficantes utilizavam a passagem para ter acesso aos ensaios da escola. ''Os diretores serão investigados por fraude processual, pois adulteraram provas na investigação que apura os indícios de uma ligação promíscua entre a agremiação e o tráfico de drogas'', disse o delegado-titular da 17 Delegacia de São Cristóvão, Márcio Caldas. A Polícia Civil descobriu a passagem durante uma operação, no início de janeiro.
Após o fracasso no carnaval, os problemas da escola devem aumentar, pois a polícia também quer saber o paradeiro do ex-mestre de bateria, Valdir de Oliveira, o Mestre Gato, que desapareceu há três dias e pode ter sido morto por traficantes da favela.
A adulteração de provas foi descoberta ontem durante uma perícia realizada na quadra da escola para documentar a passagem secreta. Ao chegar no local, a polícia encontrou a passagem fechada com cimento. ''Quando os diretores foram ao distrito depor, orientamos para que não adulterassem nada'', lembrou o delegado. Ele considerou ''estranha'' a postura da escola e não descarta a hipótese de que a passagem serviria ainda para que os traficantes se escondessem no camarote durante operações policiais na favela.
A perícia foi realizada em um clima tenso. Armados com fuzis, agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil (Core) deram apoio ao trabalho dos investigadores e peritos. Um explosivo foi detonado próximo aos fundos da quadra, no local em que estavam policiais e jornalistas. A Mangueira não permitiu o acesso da imprensa ao interior da quadra.
Caso a suspeita se confirme, Valdir de Oliveira, o Mestre Gato, seria o terceiro mestre de bateria assassinado a mando do tráfico da Mangueira nos últimos dez anos. ''Estamos investigando o desaparecimento dele. Conforme uma denúncia, ele foi visto pela última vez há três dias. Vamos apurar as circunstâncias'', disse o delegado Caldas. Em junho de 1998, o então mestre de bateria, Alcyr Explosão, foi morto a tiros a mando do traficante foragido Francisco Testas Monteiro, o Tuchinha, um dos compositores do samba deste ano.
Outro caso que chocou o mundo do samba foi a morte do presidente da Bateria, Robson Roque, de 43 anos, em dezembro de 2004, a mando do traficante Alexander Mendes da Silva, o Polegar. Encontrado na localidade conhecida como ''microondas'', o corpo carbonizado de Roque só foi reconhecido após um exame de DNA.
A assessoria de imprensa da Mangueira informou que a escola não se pronunciará sobre o caso. Vice-presidente de Bateria na gestão do músico Ivo Meirelles, Mestre Gato o substituiu quando o músico pediu afastamento dos cargos de presidente da escola e mestre da bateria.


