Rio de Janeiro - A Escola de Samba Mangueira, primeiro lugar do carnaval carioca, encerrou a noite das campeãs no sabódromo, desfilando sob chuva fina e saudada pelos gritos de ‘‘É campeã!’’ das arquibancadas e camarotes.
Muito aplaudida foi também a vice-campeã Beija-Flor, que entrou na avenida com uma faixa dando parabéns ‘‘à nação mangueirense’’, escrita em verde e rosa.
A agremiação de Nilópolis, que perdeu o título por 1 décimo de ponto, exibiu em todos os carros alegóricos o protesto contra a jurada Lúcia Ribas, que lhe tirou meio ponto no quesito Alegoria e Fantasias. ‘‘Só ela viu. Aqui, perdemos ponto’’, diziam, ironicamente, todas as faixas.
No desfile da Mangueira, que começou pouco depois das 2h30 de hoje, só faltou dona Zica, que esteve internada por uma semana, com pneumonia, e recebeu alta sábado de manhã, mas foi impedida de desfilar pelo médico Roberto Horcades, por causa da chuva. A escola fez uma exibição digna de campeã e não perdeu a pose nem quando o som falhou, no fim da apresentação.
A escola italiana Il Comune di Adrano, da província da Sicília, abriu o desfile, seguida pelas seis primeiras no Grupo Especial. Foram nove horas de espetáculo, que começou às 20 horas de anteontem e terminou às 4 horas de ontem.
Choveu a noite toda, mas o público, calculado em 60 mil, não arredou o pé do sambódromo. Mesmo assim, foi uma noite tranquila, com 218 atendimentos médicos, até a passagem da penúltima escola, a Beija-Flor.
Nos camarotes, faltaram nomes internacionais e sobrou animação. No da Brahma, Ângela e João Bosco dividiam a mureta com a mangueirense Beth Carvalho. Do outro lado, no camarote da revista ‘‘Rio, Samba e Carnaval’’, a cantora Nana Caymmi e as filhas dividiam frisa (camarote quase ao nível da rua) com o ator Guilherme Karam.
Salgueiro, sexto lugar do Grupo Especial, foi recebida pelo público com aplausos comedidos. A Viradouro seguiria no mesmo tom, não fosse a modelo Luma de Oliveira à frente da bateria, carregando, novamente, uma bandeira pedindo paz.
A Mocidade Independente de Padre Miguel foi a primeira a ser saudada com tímidos gritos de ‘‘É campe㒒. A famosa batida da bateria combinava com os malabarismos de artistas de circo, em cima de carros alegóricos ou não. A Imperatriz Leopoldinense, terceira, depois de três campeonatos seguidos, foi vaiada, retribuiu com um discurso inflamado do presidente, Wagner Araújo, mas conquistou o público com a beleza das alegorias e fantasias e o surpreendente samba no pé da ex-modelo Luísa Brunet, madrinha da bateria, que desfilou descalça, por causa da pista molhada.
A falha de som foi um teste involuntário. Em 2003, a Liga das Escolas de Samba pretende desligar os alto falantes para que se ouça as alas cantarem o samba-enredo. Pelo menos entre as campeãs, ninguém quis fazer a experiência este ano.

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