Mangueira e Beija-Flor dividem título
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de fevereiro de 1998
Agência Folha 
Otávio Magalhães/AE
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
Pé quenteChico Buarque acena para o público durante o desfile da Mangueira, na madrugada de terça-feiraEm uma apuração sem as tradicionais brigas e acusações de favorecimento, Mangueira e Beija-Flor foram eleitas ontem campeãs do Grupo Especial do Carnaval do Rio. As duas escolas atingiram a pontuação máxima: 270 pontos. A Viradouro, de Niterói, que era considerada a principal favorita, ficou em quinto lugar e seu vice-presidente, Ito Machado, disse que não achou justa a classificação da escola.
Após o resultado, os presidentes das duas campeãs, Farid Abraão David (Beija-Flor) e Elmo dos Santos (Mangueira), se abraçaram, comemorando. Para Neguinho da Beija-Flor, puxador de samba da escola, o empate foi bem-vindo.Quem ganha é o samba. Abraão dedicou o título ao seu irmão, Aniz Abraão David, o Anísio, banqueiro do jogo de bicho que ficou preso por quase três anos por formação de quadrilha. Anísio não foi ao sambódromo, onde ocorreu a apuração. Farid também ofereceu o título a Joãosinho Trinta, ex-carnavalesco da escola e hoje na Viradouro. Devemos muito a ele, disse. Na arquibancada, a Beija-Flor tinha pouco mais de 20 torcedores, contra 250 mangueirenses.
Paula Prandini/AE
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
Festa no BexigaTorcedores da Escola de Samba Vai-Vai comemoram a conquista do título de campeã do carnaval paulista
A festa na quadra da Mangueira, que comemora 70 anos em 98, começou assim que terminou a apuração. Dona Zica, viúva do compositor mangueirense Cartola e símbolo da escola, abraçou-se por meia hora a um busto do marido. Às 18h30, havia mais de 5.000 pessoas na quadra e 3.000 do lado de fora. Para o puxador Jamelão, o compositor Chico Buarque, tema do enredo campeão, deu sorte. O Chico é pé-quente. Ele trouxe muita categoria e emoção.
Vou ler as justificativas dos jurados. De repente eles me mostram alguma coisa que eu não vi e me convencem que eu merecia perder o meio ponto que perdi em samba-enredo, disse Wagner Araújo, presidente da Imperatriz. Ito Machado, vice-presidente da Viradouro, disse que não gostou das notas de bateria e comissão de frente. Mas, apesar disso, a escola está permanentemente feliz, segundo Machado.
As duas escolas campeãs do Carnaval carioca apostaram em trunfos opostos para chegar ao título: a Mangueira, no carisma; a Beija-Flor, na falta dele. Logo após o Carnaval passado, a diretoria mangueirense anunciou que o enredo para este ano seria Chico Buarque. Desde então, a Mangueira - normalmente a escola mais badalada - concentrou as atenções para a homenagem. A Beija-Flor, inversamente, adotou o low profile. Em vez de escolher um carnavalesco de peso para substituir Milton Cunha, que foi para a União da Ilha, apostou numa comissão de oito jovens desconhecidos para desenvolver um enredo comum, sobre o folclore marajoara. A idéia era despersonalizar, a escola. Favorita por seu desfile bonito e empolgante, a Viradouro recebeu notas incompreensíveis. Os jurados tiraram 2,5 pontos do samba-enredo, o mais cantado.


