NUKUALOFA (AE) - Os tonganeses adoram comidas gordurosas. Nas biroscas, o lanchinho nacional é o bolo frito em óleo de coco, a 883 calorias por 100 gramas. Como merenda escolar, crianças compram pacotes de 12, do tamanho de bolas de tênis, escorrendo azeite. A refeição normal pode conter uma overdose de carboidratos. Leva inhame, batata-doce, fruta-pão, pão branco, arroz, cerveja Royal, leitão assado, bolo inglês, torta e sorvete. O açúcar é a paixão da turma. A baguete deles vem com a casca salgada, mas por dentro leva uma fina camada de açúcar de confeiteiro e outra de marshmallow.
Mesmo com os obesos em maioria na estatística, existem mais magros nas ruas. Isso se explica porque os gordos preferem ficar no conforto de casa, mais pertinho do umu - o fogão de barro que é o altar da cozinha nacional, autor de assados, paneladas, frituras e grelhados.
O arroz e feijão deles é a mandioca com batata-doce, moídas no mesmo prato. Não há história escrita das ilhas, mas até hoje se conta de boca em boca do belo dia do século 18 em que eles descobriram as maravilhas do pão.
A bebida mais consumida de Tonga ainda é a água de coco, vendida em toda esquina. Custa 1 pahanga. Mas, o coco está perdendo terreno para uma água preta engarrafada chamada Coca-Cola, de 3 pahangas.
Especialistas estudaram a obesidade dos tonganeses. Conclusão óbvia: as pessoas comem muito e exercitam-se pouco. Maior inimigo: embutidos com 90% de gordura, rejeitados pelos consumidores da Austrália e Nova Zelândia, muito apreciados no pedaço. Não há médico dietista nas 172 ilhas do arquipélago, exceto aquele que trata do rei. Na década de 80, sua majestade ainda tentou sugerir um regime para o povo - não democrático, mas alimentar. Deixou pra lá, porque o assunto também era politicamente explosivo. (R. A. O.)

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