Johannesburgo, 01 (AE-AP) - O presidente da áfrica do Sul, Nelson Mandela, pediu hoje (01) a seus compatriotas que participem amanhã da segunda eleição democrática e multirracial do país sem violência. Em um discurso após a inauguração de um projeto comunitário em Mdibanisweni, no Transkei, sua terra natal, Mandela, de 80 anos, manifestou o desejo de que "todos exerçam seus direitos democráticos em paz".
"Não queremos aqueles que pensem com seu sangue em vez da cabeça e usem a violência contra seus oponentes", disse Mandela
pai da reconciliação racial na áfrica do Sul.
Apesar de alguns incidentes de violência que deixaram vários mortos, a campanha eleitoral transcorreu em relativa calma, se comparada com a de 1994, quando o país substituiu o regime minoritário segregacionista do apartheid por um governo democrático de maioria negra.
Este ano, extremistas neonazistas tentaram desestabilizar o processo eleitoral com atentados a bomba e choques entre zulus e membros do governista Congresso Nacional Africano (CNA) dominaram o período pré-eleitoral e ameaçaram transformar a campanha em um caos.
O vice-presidente Thabo Mbeki, de 56 anos, favorito para vencer as eleições e substituir Mandela no dia 16, escreveu hoje uma carta aberta aos sul-africanos. Ele exortou os eleitores a votar livremente no partido de sua preferência, sem o temor de que a escolha vá comprometer seu futuro de alguma forma.
Mais de 18 milhões de eleitores escolherão amanhã, em uma votação proporcional integral, 400 deputados da Assembléia Nacional, que por sua vez designarão, no dia 14, o novo presidente do país, que tomará posse dois dias depois. Também serão eleitos 427 representantes das 9 Assembléias Provinciais Institucionais, dotadas de amplo poder.
Pela primeira vez na áfrica do Sul foi estabelecido um Registro Eleitoral Nacional, constituído pela Comissão Eleitoral Independente. Nas eleições de 1994, bastava o eleitor apresentar a cédula de identidade para participar da votação. Na época, estimou-se que o número de eleitores era de 22,7 milhões. Agora, cerca de 80% dos sul-africanos com idade para votar inscreveram-se no Registro Eleitoral.
A Comissão Eleitoral Independente, que controlará o processo de votação em uma gigantesca sala de exibições em Pretória, contratou 220 mil professores, funcionários públicos e desempregados para trabalhar na sede central e nos 14.650 colégios eleitorais, que abrirão às 7 horas e fecharão às 21.
Após a apuração dos votos de cada agremiação, 200 cadeiras da Assembléia Nacional serão atribuídas aos partidos em forma proporcional ao número de sufrágios obtidos. As outras 200 cadeiras serão divididas entre as províncias e em função dos votos obtidos pelas listas nacionais em cada uma das províncias. Esse sistema foi estabelecido na última eleição.
As pesquisas de opinião indicam que o governista CNA, de Mandela, deverá obter entre 59% e 69% dos votos. O CNA tem o apoio de 90% dos eleitores negros e poderá obter até 60% dos votos dos brancos. O Novo Partido Nacional, a ex-formação política do movimento segregacionista que mudou de nome recentemente acrescentando o "novo", e o Partido Democrático, liberal, receberam cada um 8% das intenções de voto. Esses dois partidos são apoiados pela maioria dos eleitores brancos. De acordo com as pesquisas, 15% dos eleitores ainda estão indecisos.
A maioria simples garantirá que Mbeki, vice de Mandela desde 1994 e líder do CNA desde dezembro de 1997, seja designado presidente quando o novo Parlamento se reunir pela primeira vez, no dia 14, na Cidade do Cabo. Mbeki não tem o carisma de Mandela
que após 27 anos na prisão liderou na áfrica do Sul o processo democrático. Mas os economistas sentem-se satisfeitos com o vice
que manteve o controle diário do governo e é admirado por seu compromisso de revigorar a política econômica do país.

mockup