Mandela inaugura museu sobre sua extraordinária vida
MVEZO, áfrica do Sul, 11 (AE-AP) - Dez anos depois que deixou em liberdade uma prisão do apartheid, Nelson Mandela retornou hoje (11) a sua cidade-natal para inaugurar um museu homenageando sua extraordinária vida.
Pouco sobrou da cabana onde o ex-presidente nasceu há 81 anos nesta vila comum na empobrecida região de Transkei da província de Cabo-Leste.
Um monumento de pedra e madeira contendo uma série de fotos de Mandela foi erguido nas proximidades da estrutura da cabana, um dos três componentes do museu estabelecido pelo departamento de artes e cultura com a esperança de atrair turistas e criar empregos.
No texto explicativo das fotos, Mandela lança alguma luz sobre como um garoto de uma vila rural acabou liderando a luta contra o opressivo estado de apartheid.
"Na minha juventude em Transkei, eu ouvia os idosos contando histórias sobre os tempos passados", escreveu ele. "Entre elas, das guerras travadas pelos nossos ancestrais em defesa da terra-mãe. Eu esperava então que a vida pudesse me oferecer a oportunidade de servir a meu povo e me tornar capaz de contribuir para a luta dele pela liberdade.
"Não posso precisar um momento quando me tornei politizado, quando eu sabia que iria dedicar minha vida à luta de libertação. Ser livre não é simplesmente romper suas próprias correntes, mas viver de forma que respeite e eleve a liberdade de outros".
Mais de 500 pessoas foram à remota vila para a inauguração do museu, entre elas membros da família real do povo xhosa, o grupo étnico de Mandela.
Mandela chegou de helicóptero, e riu e conversou com a multidão que se acotovelava para apertar sua mão.
Depois de desvelar o monumento de Mvezo, o grupo iria viajar 60 km até a vila de Qunu, onde Mandela viveu até os nove anos de idade.
Mandela, que deixou a presidência em junho depois de cinco anos no poder, construiu uma casa na vila e passa períodos na residência quando busca um descanso de suas mediações de conflitos internacionais.





