Cidade de Gaza, 19 (AE-AP) - Abraço de velhos amigos, conversas sobre os velhos tempos, favores trocados: não foi diferente o encontro hoje entre Nelson Mandela e Yasser Arafat, em Gaza.
Esta foi a última parte da visita do recém-aposentado ex-presidente da áfrica do Sul ao Oriente Médio, e foi o encontro mais efusivo da visita, ainda mais depois de Mandela estimular Israel a devolver terras aos palestinos.
Cumprimentando Mandela no aeroporto, Arafat o beijou na testa. Uma banda de gaitas de fole tocava hinos nacionais, enquanto Arafat segurava a mão de Mandela e o conduzia a uma comitiva que desfilaria pelas ruas da cidade, cheias de palestinos cantando e dançando.
"A relação entre o presidente Arafat e o presidente Mandela vem de longe", disse mais tarde um Mandela irradiante. "Não é segredo o fato de que havia uma relação de resistência comum entre os palestinos e o Congresso Nacional Africano", o Congresso que Mandela liderou de uma cela na prisão durante décadas.
Israel, constrangido pelo apoio que deu no passado ao ultra-radical regime do apartheid, pressiona Mandela há muito tempo para uma visita ao país. Mandela, que já foi laureado com o Nobel, considerou que o momento certo tinha chegado, agora que o processo de paz foi retomado pelo recém-eleito regime moderado encabeçado por Ehud Barak.
Para os israelenses, a visita de Mandela, que terminou ontem, foi um sinal final de reconciliação.
"Estamos muito orgulhosos que este homem tenha nos visitado", disse o ministro das Relações Exteriores David Levy, minutos depois de Mandela tomar o avião em Jerusalém para Gaza.
Apesar das palavras cordiais, Mandela não poupou esforços para estimular o governo de Barak a entregar toda a Cisjordânia aos palestinos.
"Israel deve estar pronto para pagar o preço da paz", disse Mandela. "Os israelenses devem retirar-se das terras ocupadas depois da guerra de 67". Tais declarações causaram deleite entre os palestinos.
Segundo um conselheiro de Arafat, Nabil Amr, "a visita é muito significativa". "Este é Nelson Mandela na Palestina. Este é o homem que foi capaz de ver sua terra libertada sob circunstâncias difíceis, exatamente como as circunstâncias que vivemos. Ele disse o que deve ser dito, isto é, que a paz requer a total retirada dos israelenses das terras árabes".

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