Mandato negociador da UE não anima empresários
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terça-feira, 22 de junho de 1999
Por Cláudia Dianni 
São Paulo, 23 (AE) - O mandato adquirido pela Comissão Européia na reunião de Luxemburgo, para começar a negociar a constituição de uma zona de livre-comércio entre o Mercosul e a União Européia, não animou o setor empresarial, segundo o diretor do Instituto Roberto Simonsen, Ruy Altenfelder. De acordo com ele, o ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, disse que o governo brasileiro já esperava que os ministros das Relações Exteriores da União Européia concordassem com o mandato, mas isso não significa garantia de que haverá avanços nas negociações entre os dois blocos.
"A decisão de começar a negociar em 2001 é um retrocesso e, se os obstáculos para o comércio entre os blocos não começarem a ser superados, a Europa perderá a oportunidade de negociar com o Mercosul, que ficará livre para avançar na Alca (Aliança de Livre Comércio das Américas)", disse.
Empresários, acadêmicos e diplomatas reúnem-se amanhã (24) e sexta-feira na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para debater os temas que serão abordados na Cimeira do Rio. Lampreia e o ministro do Desenvolvimento, Celso Lafer, que participam das discussões, vão levar ao encontro do Rio um documento com as sugestões e opiniões dos empresários e acadêmicos.
"Em diplomacia, principalmente para os empresários, retórica é quase nada", disse Altenfelder. Ele acredita que o encontro do Rio vai produzir algumas negociações, mas não na proporção esperada pelos empresários e governos do Mercosul, sobretudo com relação aos produtos da agroindústria.
Na opinião do diretor do Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais de Lisboa (IEEI), Alfredo Valladão
o encontro do Rio não terá substância se não houver acordos comerciais na questão das barreiras tarifárias e não tarifárias para os produtos do Mercosul no mercado europeu.
"A foto que os chefes de Estado vão tirar no Rio pode ser simbólica, mas não significa progresso nas negociações". Ele lembrou que a Comissão Européia já possui mandato para negociar com o México desde o ano passado, mas que "não houve muito progresso no comércio entre o bloco com esse país no último ano."
Segundo o coordenador do Programa de Agronegócios da Universidade de São Paulo, Décio Zilberstein, os empresários brasileiro deveriam participar mais ativamente das discussões em torno do comercio internacional. "A união européia tem 30 anos de experiência, portanto tem um histórico de discussões que não temos e a política agrícola da União Európéia é um massacre para os agricultores do resto do mundo", protestou.
Agricultura - O assunto de maior interesse para o Mercosul que será discutido na Cimeira é a questão dos subsídios agrícolas que a União Européia fornece aos agricultores e as barreiras tarifárias e não tarifárias impostas aos produtos brasileiros e demais países da América Latina.
O governo brasileiro espera avançar nas negociações e reduzir pelo menos as barreiras não tarifárias, como as sanitárias e fitosanitárias, aos produtos considerados sensíveis pelos europeus, como a carne bovina, o açúcar, os cereais, o setor vinícola e os produtos lácteos.


