Mandato de Menem termina sexta com denúncias de corrupção
Buenos Aires, 06 (AE-IPS) - Esta é a última semana de governo do presidente Carlos Menem, da Argentina. Ele termina seu mandato em meio a uma onda de denúncias que envolvem seus colaboradores mais próximos. Elas vão de corrupção a suposto enriquecimento ilícito. Na sexta-feira, o presidente entrega o poder ao seu sucessor, Fernando de la Rúa. Será a primeira vez que um presidente do Partido Justicialista (PJ, peronista) entrega o cargo a um oposicionista. Historicamente, as gestões justicialistas foram interrompidas por golpes de Estado.
Menem, que lutou sem êxito por um terceiro mandato, disse hoje que cumpriu tudo o que prometeu e que não se arrepende de nada do que fez. "Cumpri um ciclo, mas continuarei trabalhando", acrescentou. A seu favor, conta o nível de estabilidade econômica. Conspirando contra aparecem o aumento da pobreza, o desemprego, má distribuição de renda e corrupção administrativa.
Para maior transparência no seu governo, o presidente criou o Escritório de Ética Pública. O organismo tem dados que garantem que Menem e seus ministros - onze pessoas no total - declararam bens que totalizam US$ 32 milhões. Há suspeitas, porém, que recaem sobre o próprio presidente. É que ele não teria declarado algumas casas onde costuma passar o verão. Seu patrimônio declarado é de US$ 2 milhões.
Hoje, a Aliança (UCR-Frepaso) de De la Rúa apresentou denúncia à Corte garantindo que a secretária do Meio Ambiente, María Julia Alsogaray, teria uma conta nas Ilhas Caiman que totalizariam US$ 200 milhões. Alsogaray foi interventora nomeada por Menem em duas ocasiões: durante o processo de privatização das telecomunicações e também quando o setor siderúrgico estatal passou às mãos da iniciativa privada.
Outro funcionário sobre quem pesam suspeitas é Víctor Alderete, interventor na entidade que cuida das prestações sociais e de saúde dos aposentados. Ele responde a sete processos, só anda com guarda-costas e, mesmo impopular, continua tendo o apoio de Menem. Segundo a ONG Transparência Internacional, este ano a Argentina aparece na lista dos países com níveis extremamente altos de corrupção. É o quinto ano que o país está na lista negra.
Durante o governo Menem as denúncias mais pesadas recaíram sobre a IBM, que teria pago comissões a funcionários para informatizar os organismos estatais, lavagem de dinheiro do narcotráfico e venda de armas ao Equador e Croácia. As recentes pesquisas colocaram a corrupção como a maior preocupação atual da sociedade.
Pesquisa realizada pela Hugo Haime y Asociados mostra que 53% dos argentinos acreditam que a corrupção diminuirá com De la Rúa contra 30% dos que acham que nada vai se alterar. Ainda segundo o estudo, 9% acham que a corrupção aumentará.





