MANDALA - Reequilíbrio emocional com a energia da
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
As cores, os desenhos e a maneira como é feita - tudo isso faz das mandalas um recurso terapêutico na psicologia. Em Londrina, a psicóloga Valéria Barreiros, especialista em psicologia corporal e bioenergética, utiliza a técnica com seus pacientes e em oficinas. O objetivo é melhorar a concentração e o estado emocional.
Ela começou a aplicar oficinas de mandala em um programa de saúde mental no serviço público em Londrina a exemplo da psiquiatra Nise da Silveira. Nise foi renomada médica que dedicou sua carreira contra as técnicas psiquiátricas agressivas aos pacientes e foi pioneira da psicologia junguiana no Brasil, nos anos 50, trazendo, entre outros conceitos, as teorias sobre o inconsciente e a relação com mandalas.
''No trabalho de mandalas com esquizofrênicos, Nise percebeu uma melhor elaboração psíquica dos pacientes, que ficavam mais centrados. Baseado nisso, apliquei a técnica, em 2005, com meus pacientes esquizofrênicos crônicos, que não se interessavam por nada, se mantinham alheios. Aos poucos, muito lentamente, eles foram se interessando pela oficina. E, as mandalas, que começaram monocromáticas, foram ficando coloridas''.
Para a esquizofrenia, ressalta a psicóloga, a técnica não é uma ''cura'', mas funciona bem como um recurso para melhorar o foco, o contato com a realidade, e a interação com outras pessoas. ''Me encantei, e comecei a pintar também no meu cotidiano, com meus filhos e os amigos deles. E vi nas mandalas a possibilidade de trabalhar e restabelecer a vitalidade e a energia, e a possibilidade de, ao me expressar, melhorar a consciência corporal'', conta. Nascia, então, o uso da mandala como um recurso terapêutico na psicoterapia.
O círculo sagrado da mandala passa então a representar o universo interior, e o ponto central, as queixas, dificuldades ou desejos do paciente. As cores, segundo a psicóloga, são trabalhadas segundo conceitos da cromoterapia, em que cada uma delas tem uma vibração diferente e está relacionada a uma emoção (veja quadro). O vermelho, por exemplo, ajuda a colocar a raiva para fora, o azul, a abrandar a dor e a expressar a raiva, e o laranja regenera, trazendo alegria, força e vitalidade.
''Depois de pronta, peço que a pessoa olhe todos os dias para a mandala durante alguns minutos, respirando profundamente, como uma meditação. E, na próxima sessão, peço para relatar a experiência. É claro que isso - o fazer a mandala, as cores e o desenho - tem a ver com discussões anteriores (na psicoterapia)'', explica.
Conseguir parar por alguns momentos do dia e desenhar, avalia a psicóloga, também é um ganho. ''É um tempo que a pessoa tira para si, para entrar em contato com o que está sentindo. É como se fosse uma meditação'', avalia.
Além disso, é uma prática que qualquer um pode fazer - no papel, na madeira, no vidro, em cerâmica, com tinta, lápis de cor, giz de cera - e ainda serve para enfeitar a casa. ''É uma prática bonita e gostosa''.
Serviço: Oficina de Mandalas - Valéria Barreiros - (43) 3327-6728 ou Rua Vicente de Carvalho, 248


