Manchas aparecem em 20 pontos das baías
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de março de 2001
Dimitri do Valle De Curitiba 
Parte das baías de Guaraqueçaba e Paranaguá tem pelo menos vinte pontos de concentração de peixes mortos e acúmulo anormal de algas, o que estaria provocando a mortandade dos animais. Fotografias obtidas pela Folha mostram que estes locais são caracterizados por manchas que destoam da cor original da água do mar. As imagens foram feitas no sábado durante uma inspeção aérea programada para observar o fenômeno de causas ainda desconhecidas.
O biólogo Tiaraju de Mesquita Fialho, integrante da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), que representou as Organizações Não-Governamentais (ONGs) no sobrevôo realizado no sábado, não acredita que as manchas foram causadas pelo vazamento de um oleoduto da Petrobras, há 17 dias. Na ocasião, cerca de 50 mil litros de óleo diesel atingiram a Serra do Mar e rios do Litoral.
A conclusão do ambientalista se baseia no fato de que as áreas da Baía de Paranaguá mais próximas dos rios atingidos pelo combustível não tiveram a mortandade detectada após o derramamento do óleo.
Apesar do mistério, Fialho diz que o aparecimento exagerado de algas e dos peixes mortos representa um grave acidente ecológico. Segundo ele, as causas podem estar associadas a fenômenos climáticos e ao lançamento de esgoto nas baías, o que teria causado um desequilíbrio ambiental na água do mar. O ambientalista entende que só o resultado das análises de amostras da água e dos animais pode revelar o que aconteceu.
O prazo para que os estudos sejam concluídos pode ser de um mês. Fialho se mostrou preocupado com as comunidades litorâneas que consomem peixes retirados das áreas afetadas. Os moradores podem ser afetados. É preciso que os laboratórios trabalhem depressa pois já estamos no período da Quaresma, quando o consumo de alimentos do mar aumenta.
Ele conclui que acidentes assim expõem a fragilidade dos órgãos de defesa ambiental, que não possuem recursos nem programas de emergência para amenizar os impactos no meio-ambiente. A sociedade está à mercê da falta de estrutura dos órgãos ambientais para reagir a situações como esta.
Durante o sobrevôo, ficou claro que os rios que formam as bacias do Rio Guaraqueçaba e da Serra Negra não apresentaram indícios de morte de peixes. Segundo Fialho, a impressão é de que o fenômeno se resume às baías de Paranaguá e de Guaraqueçaba. Elas são consideradas áreas de proteção ambiental e onde estão situadas as reservas de Mata Atlântica mais bem conservadas do País.


