Mancha e formigamento são sintomas da doença
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de julho de 1997
Da Redação 
Com 500 mil hansenianos, mas só a metade deles registrada nos serviços públicos de saúde, o Brasil é segundo colocado no mundo em casos de hanseníase, perdendo apenas para a Índia. No mundo, há cerca de 20 milhões de pessoas com a doença.
A hanseníase é uma doença infecciosa de evolução prolongada, que ataca principalmente a pele e os nervos periféricos. Nunca afeta o cérebro ou o sangue. O bacilo foi descoberto em 1873 pelo norueguês Gerhard Amauer Hansen. Doença milenar e citada na Bíblia como lepra, ela sempre foi fonte de preconceito e discriminação. Como no início não havia tratamento, os doentes acabavam perdendo a sensibilidade de partes do corpo, que sofriam mutilações.
Não tratada, a hanseníase afeta os pequenos ossos e articulações das mãos, pés e cartilagens. Os dedos perdem a mobilidade, fixando-se em formas de garra. Os ossos atrofiam-se.
A hanseníase é contagiosa mas a maior parte dos doentes não eliminam bacilos. A doença não é hereditária e só é transmitida (pela saliva) quando há um contato íntimo e prolongado com o doente; no ambiente de trabalho não há risco de contágio. A doença leva ao enfraquecimento dos músculos e à cegueira, mas é totalmente curável, desde que diagnosticada cedo.
O diagnóstico pode ser feito através de consultas com dermatologistas, pesquisa do bacilo (por exame laboratorial) e biópsias das manchas. Os principais sintomas da doença: aparecimento de manchas esbranquiçadas ou avermelhadas pelo corpo, infiltração (inchaço) das manchas; perda da sensibilidade e do movimento das mãos.
Material informativo - que é distribuído pela 17ª Regional de Saúde aos portadores de hanseníase - destaca que os medicamentos impedem o aparecimento de complicações, reduzem o risco de contagiar outras pessoas e permitem a cura completa do paciente. O folheto tenta acabar com as dúvidas e com o preconceito. E esclarece: A hanseníase não faz cair o dedo, como diz a lenda.
(Luka Morais)


