Campo Grande - A Polícia Militar Ambiental de Mato Grosso do Sul localizou ontem manchas de óleo combustível dispersas ao longo de 3 quilômetros do rio Aquidauana, no Pantanal (130 km de Campo Grande). O perito criminal da Polícia Civil Aires Batista Vilalba, 38 anos, fez a coleta do material no rio. Ele disse ontem que a ''contaminação foi considerável e preocupa''. A Polícia Civil deve abrir inquérito para apurar os responsáveis pela poluição.
A análise preliminar do perito apontou que o material poluente era uma mistura de diesel com óleo queimado. Até ontem não havia registro de mortes de peixes nem de animais que bebem no rio, mas, segundo o perito, ainda podem ocorrer casos. ''Os danos a gente vai saber depois'', afirmou Vilalba.
Segundo o capitão da polícia ambiental Pedro César de Figueiredo Lima, 31 anos, as manchas se dissolveram ontem no volume de água e ''não eram concentradas nem em grande quantidade''. O material combustível teria chegado ao rio ''a partir de uma galeria de esgoto e captação de água pluvial (chuvas) da área urbana'', disse o capitão Figueiredo.
A galeria de águas está localizada na área urbana de Anastácio (127 km de Campo Grande), cidade situada às margens do rio. Foram coletadas amostras do óleo tanto na saída da galeria como também no rio. O material foi enviado ao laboratório da Secretaria Estadual de Justiça e da Segurança Pública para análise. O laudo pode sair na semana que vem.
Uma das hipóteses investigadas pela polícia ambiental é que postos de combustíveis tenham lançado óleo na galeria, porém não está descartada a suspeita que o material tenha saído de alguma casa. A polícia ambiental está fazendo vistorias nos postos de combustível e pode aplicar multa que varia de R$ 1.000 a R$ 50 mil, caso seja constatada a poluição, informou o capitão.
As cidades de Anastácio e Aquidauana são separadas pelo rio. A primeira possui 19,4 mil habitantes e nenhuma casa é servida por rede esgoto. Em Aquidauana, apenas 14% dos 42,4 mil habitantes são atendidos por redes coletoras.
A falta de saneamento básico causa poluição do rio. Essas informações estão contidas no sumário do Programa Pantanal. O projeto financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) prevê investimentos de US$ 165 milhões na planície pantaneira. Concebido em 1995 pelo governo federal, ainda não saiu do papel.
As cidades de Corumbá (108,3 mil habitantes), Porto Murtinho (11,2 mil) e Cáceres (59,5 mil) localizadas no Pantanal não possuem rede de esgoto. O Programa Pantanal prevê obras em saneamento, recuperação de rios, criação de estradas-parques e incentivos a atividades econômicas como turismo de contemplação em substituição à pesca e pecuária.

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