Curitiba - Os proprietários da Fazenda Santa Rita vão questionar judicialmente o governo do Estado, que não cumpriu ordem de reintegração de posse emitida em outubro de 1998. A fazenda, que pertence ao grupo Manasa Madeireira Nacional, foi ocupada pelo Movimento de Trabalhadores Sem Terra (MST), em setembro daquele ano.
O diretor da Manasa, Carlos Sampaio Braconnot, disse ontem que a ação será encaminhada à Justiça até o final do mês, e justifica a decisão alegando que a empresa esgotou todas as possibilidades de negociação com o governo do Estado. ‘‘Estamos há quase quatro anos com a ordem judicial de reintegração da área nas mãos e até hoje nada foi feito’’, reclama.
Ele afirma que ação será baseada em danos morais e materiais, mas ainda não tem um cálculo do valor. Braconnot diz que a quantia somente será conhecida após avaliação da perícia na propriedade.
A Fazenda Santa Rita, localizada no município de Porto Barreiro (135 km a oeste de Guarapuava), possui 5 mil hectares e é ocupada parcialmente com reflorestamento de pinus. Braconnot acusa o MST de desmatar parte da área e de derrubar cerca de 1 mil hectares de florestas nativas. Pelos seus cálculos, aproximadamente 90 integrantes do MST ocupam a fazenda.
Os dados são contestados pelo membro da coordenação estadual do MST, Roberto Baggio. Segundo ele, cerca de 120 famílias ocupam a área e hoje cultivam feijão, arroz e milho no local. Baggio também nega que os agricultores tenham derrubado áreas de preservação e florestas nativas.
O coordenador do MST alega ainda que a área da Fazenda Santa Rita é improdutiva e passível de desapropriação por parte do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
O impasse pode ser resolvido até o final do mês, quando o governo do Estado espera receber uma parte dos 36 mil hectares que serão destinados pelo Incra para a reforma agrária no Paraná.
O assessor especial de Assuntos Fundiários do governo estadual, Antônio Carlos Coelho, reconheceu ontem o direito de o grupo Manasa reclamar judicialmente a posse da área invadida. Mas lembra que a ordem judicial ainda não foi cumprida porque o governo não tem onde assentar as famílias – cerca de 80, pelos seus cálculos – que ocupam a fazenda.

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