Mananciais secam e ameaçam abastecimento em Itu
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segunda-feira, 22 de novembro de 1999
Por José Maria Tomazela 
Itu, SP, 22 (AE) - Os 150 mil moradores de Itu, a 98 quilômetros de São Paulo, correm o risco de ficar sem água caso não chova de forma abundante nos próximos dias. O Serviço Autônomo de água e Esgotos (SAAE) ampliou de oito para dez horas por dia a suspensão do abastecimento da cidade em razão do secamento parcial dos mananciais usados para captação. Segundo o técnico da autarquia, José Carlos Rodrigues, o volume captado vem se reduzindo e a água represada é suficiente para duas ou três semanas. A cidade está sendo abastecida apenas das 18 horas às 8 da manhã. Em alguns bairros, o líquido só chega nas torneiras entre as 22 e 24 horas.
Caminhões-pipas estão garantido o abastecimento de escolas, creches, hospitais e bairros onde a falta de água é total. Os veículos trazem a água na região do Pirapitingui, a única do município que não enfrenta escassez, pois é abastecida pelos mananciais de São Miguel e do Varejão, que têm boa reserva do líquido. Segundo o SAAE, a estiagem prolongada causou uma redução de 75% na capacidade de adução do Ribeirão Itaim, responsável por 35% do abastecimento da área urbana, incluindo o centro. Os sistemas de captação dos outros dois mananciais, o Rio Braiaiá e o Ribeirão Fubaleiro, operam com apenas 30% da capacidade. As chuvas que caíram nos últimos dias foram insuficientes para alterar o quadro, segundo Rodrigues.
Ele contou que alguns produtores de tomate que usavam a água do Itaim para irrigação de lavouras chegaram a ser autuados pelo Ministério Público. Moradores que desperdiçam água lavando carros ou calçadas recebem advertências por escrito. A falta de chuvas afeta a região desde maio deste ano, segundo o SAAE. O índice de água acumulada no solo em outubro, de apenas 9 milímetros, foi o menor dos últimos 12 anos. Segundo o prefeito Leonel Salvador (PMDB), a melhoria na disponibilidade de água exigirá investimentos de R$ 20 milhões. Sem perspectiva de dispor desse recurso, a prefeitura planeja passar esse serviço à iniciativa privada, através de concessão por um prazo máximo de 30 anos. O prefeito deve enviar projeto à Câmara, este mês, com essa finalidade.


