Mamografia pode zerar casos tardios
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Curitiba- Se todas as mulheres fizerem a mamografia anual a partir dos 40 anos, os casos de diagnóticos tardios de câncer podem até acabar no Brasil, reduzindo em cerca de 20% a mortalidade da doença. A afirmação é do médico mastologista Ademar Bedin Júnior, diretor técnico do Instituto da Mama do Rio Grande do Sul (Imama), com base em tendências já confirmadas em outros países. Dez mil mulheres morrem por ano no país vítimas desse tipo de câncer, o mais frequente entre elas.
Desde de abril, a Lei Federal 11.664 dá direito à mamografia na rede pública de saúde às mulheres a partir dos 40 anos. Antes a idade mínima era 50 anos. Nossa preocupação é que muitas não conhecem esse direito e não entendem a importância desse exame. A maioria acredita que o autoexame é suficiente. Só que, quando algo é detectado com o toque, significa que a doença já pode estar avançada, afirma o médico. Segundo ele, as mulheres nem mesmo vão ao médico por desconhecimento da doença.
A Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama) tem feito campanha para que as mulheres solicitem a mamografia a que têm direito ainda este ano. Segundo a entidade, o número de mamografias concedidas na rede pública de saúde no próximo ano será baseado no número de pedidos solicitados até dezembro de 2009. Nesse caso, as brasileiras teriam direito a uma quantidade menor de exames do que a demanda necessária.
De acordo com Bedin Júnior, outro problema a ser resolvido na saúde pública é com relação aos mamógrafos disponíveis, muitos com qualidade inadequada, o que prejudica o diagnóstico correto. Ele diz que entidades médicas já levantaram essa questão junto aos governos, além do pedido da disponibilização de mais aparelhos.
Apesar de defender a ênfase na mamografia nas campanhas de conscientização sobre a doença, o mastologista não diminui a importância do autoexame, que deve ser estimulado uma vez ao mês até os 40 anos. Outra providência importante é a consulta anual ao médico.
Conforme explica Bedin Júnior, o diagnóstico é de extrema importância, mas antes dele vêm todas as medidas de prevenção que devem ser tomadas por todas. Cada vez mais estudos provam que o câncer de mama está, sim, relacionado com obesidade, sedentarismo, tabagismo e alcoolismo. Hábitos saudáveis, especialmente a prática de exercícios não só pode diminuir a incidência da doença, como, comprovadamente, diminui a recidiva dela, afirma.


