São Paulo, 13 (AE) - Ao apresentar hoje o laudo que prova que ele não é pai da filha de Silvana de Oliveira, o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) lançou suspeitas de que o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), seja o responsável pela divulgação das notícias de que teria uma filha fora do casamento. Acompanhado de sua mulher, Sylvia Maluf, e do advogado Edevaldo Alves da Silva, ele se referiu sempre às eleições do ano passado
para governador, como motivo das denúncias.
Maluf disse que, apesar de a mídia não ter divulgado essas notícias no ano passado, vários panfletos foram distribuídos em portas de escola. Outro prejuízo eleitoral teria ocorrido, de acordo com ele, com a divulgação por e-mails via Internet. "Eram duas pessoas disputando o segundo turno das eleições, eu e o governador Covas", disse. "Se não fui eu quem distribuiu (os panfletos), quem foi?"
Em vários momentos da entrevista, Maluf disse que não podia ainda responsabilizar ninguém pelo ocorrido, mas logo referia-se às eleições e a Covas. "Estávamos eu e ele na disputa; quem é que tinha interesse de colocar a denúncia vazia num site de provedor pirata?", disse. "Que ganhem a eleição, mas não percam a ética."
"Intocável" - Maluf citou o pai de Silvana, seu ex-cabo eleitoral Silvio Rocha de Oliveira, como uma das pessoas que podem ser processadas por difamação. Em setembro de 1998, Oliveira gravou uma fita onde diz que Maluf teve há alguns anos um relacionamento com sua filha Silvana, então com 15 anos, com quem teria tido uma filha. Essa informação foi contestada pelo laudo apresentado hoje.
Oliveira depôs em março na CPI dos Fiscais, da Câmara de São Paulo, sobre irregularidades na Administração Regional da Penha, onde era conhecido como "intocável", por causa da suposta indicação feita por Maluf. Ele foi indiciado pela polícia em abril, sob suspeita de que coordenava a extorsão a donos de bancas de frutas.
Num momento da entrevista, Maluf enumerou, sem citar nomes, profissionais e instituições que também podem ser vítimas de processo por difamação. "Todos os que divulgaram podem ser processados: delegados, promotores, órgãos de imprensa..."
Maluf afirmou que está pronto para novas eleições. "Minha chuteira está pronta para jogar os 90 minutos", disse. Ele não adiantou, porém, se pretende ser o candidato do PPB à Prefeitura no ano que vem. "Nunca deixei de ser candidato a futuras eleições, mas ainda não sei onde." O ex-prefeito recusou-se a fazer declarações sobre a administração de Celso Pitta (PTN), seu sucessor. "Chamei vocês (jornalistas) para falar do laudo", disse. Ele fez várias críticas, porém, à administração estadual. "Covas deveria acordar mais cedo, dormir mais tarde, trabalhar mais e acabar com as trapalhadas da Febem, as chacinas, o desemprego e a violência."
A reportagem tentou ouvir Covas sobre as declarações de Maluf
mas não obteve retorno.

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