Maluf será intimado a depor no inquérito sobre a Anhembi Turismo16/Mar, 18:39 Por Uilson Paiva São Paulo, 16 (AE) - O ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) será intimado a depor no inquérito que apura irregularidades na Anhembi Turismo e Eventos de São Paulo. A força-tarefa criada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público para investigar o caso vai convidar o prefeito Celso Pitta (PTN) a prestar esclarecimentos. Os depoimentos, que já eram cogitados pela força-tarefa, passaram a ser considerados essenciais a partir das denúncias da primeira-dama Nicéa Pitta. A convocação e o convite serão feitos na semana que vem. Nicéa declarou que, apesar de não exercer nenhuma função na administração, o filho de Maluf, Flávio, indicava nomes para cargos de confiança na Anhembi. Entre eles, está Ricardo Castelo Branco, que depôs hoje. Ele presidia a empresa na época da descoberta do escândalo da contratação de funcionários fantasmas na empresa de economia mista, controlada pelo município. Ainda não há data para o depoimento de Maluf e de seu filho, Flávio. "Paulo Maluf tinha influência na empresa e obrigação de saber o que se passava lá, por isso, dentro de uma sequência lógica, terá de ser ouvido", disse o delegado Itagiba Franco. A nomeação dos fantasmas custou pelo menos R$ 7, 2 milhões para os cofres do município, em apenas um ano. Outros R$ 7 milhões eram movimentados pelo estacionamento da empresa, onde, segundo Nicéa, também havia fraude e desvio de dinheiro. As irregularidades envolvem os ex-secretários Reynaldo de Barros e Edevaldo Alves da Silva, das gestões Pitta e Maluf. Segundo o promotor José Carlos Blat, o número de fantasmas da Anhembi deve chegar a 200. Todos os funcionários suspeitos - a maioria ligados ao PPB, indicados por políticos e vereadores - foram ouvidos por Franco. O inquérito, que já dura quase um ano, será um dos mais completos a respeito da máfia que atuava na Prefeitura. "O depoimento de Nicéa somente comprova que esse inquérito é exemplar, porque sintetiza e demonstra todo o esquema existente na Prefeitura", disse Blat. Citado nas denúncias da primeira-dama, o investidor Naji Nahas, por exemplo, indicou o diretor de Eventos da Anhembi na gestão de Castelo Branco, Manoel Justino de Almeida Neto, que já prestou depoimento ao delegado Franco. Nahas, que provocou quebras na Bolsa do Rio, em 1989, ao emitir cheques sem fundo, foi citado por Nicéa como o mentor da reaproximação entre Pitta e Maluf. Ele também teria orientado Pitta a "fazer caixa" até o fim da gestão, para poder custear, depois que deixasse o cargo despesas com sua defesa nos processos judiciais em que era citado. "Comecei ouvindo todos os funcionários suspeitos e, depois, passei a ouvir os membros da direção", informou o delegado Franco. "Agora vou subir ainda mais na hierarquia e ouvir quem indicava os funcionários."

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