São Paulo, 21 (AE) - O presidente do PPB, Paulo Maluf, divulgou há pouco nota oficial reafirmando as críticas ao governo federal. Maluf não contesta formalmente as declarações de lideranças do PPB sobre a sua participação no programa nacional partido, transmitido na noite de ontem (20). Na prática
enfrentou o partido ao manter as denúncias e dizer que não apresentou "novidade".
Hoje, várias lideranças do PPB protestaram contra as declarações de Maluf, entre eles o ministro da Agricultura Francisco Turra, o governador de Santa Catarina Esperidião Amin e os deputados federais Eurico Miranda (RJ), Odelmo Leão (MG), líder do PPB na Câmara, e Ricardo Barros (PR), vice-líder do governo na Câmara. Eles alegam que Maluf se utilizou indevidamente do programa para externar uma opinião pessoal e que a "esmagadora maioria" do partido discorda das críticas feitas ao governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, do qual, reafirmam, o PPB integra a base de sustentação.
A íntegra da nota divulgada pelo ex-prefeito Paulo Maluf:
"O que eu disse ontem (20/05) no programa nacional do Partido Progressista Brasileiro (PPB) na televisão é uma constatação do que efetivamente os jornais retratam, portanto não representa nenhum novidade. Novidade é alguém ter coragem de assumir essas críticas. Foi o que fiz.
Os jornais noticiam que o desemprego foi recorde no Brasil e só na região metropolitana de São Paulo chega a 20% da população ativa. Quanto à expressão cassino, os jornais noticiam que a CPI dos bancos - requerida pelo senador Jader Barbalho, presidente do PMDB, que faz parte da base governista -, apurou que os banqueiros particulares receberam R$ 10 bilhões de doação do Banco Central no mês de janeiro. E ontem, na CPI do bancos, o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, revelou: 42% dos bancos não pagam 1 real de imposto de renda ao país, enquanto os assalariados são os que realmente contribuem. Ou seja, ganham muito, não correm riscos e não pagam impostos.
Quanto à insegurança, ela está presente no dia-a-dia de todo o cidadão. Quem já não teve um parente ou conhecido que não foi assaltado? Segurança pública sempre foi prioridade nos meus governos. Daí minha posição crítica à situação atual. E se alguém acredita que não há desemprego, que os bancos não estão sendo beneficiados e que não há insegurança, eu não acredito."

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