São Paulo, 17 (AE) - O corpo do empresário Calim Eid foi enterrado hoje à tarde no Cemitério do Morumbi, em São Paulo. Durante o velório, na Assembléia Legislativa, o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) e o prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PTN), que tiveram Eid como tesoureiro e articulador político de suas campanhas, não se falaram e fingiram não ver o outro. Eid, que morreu ontem (16), aos 76 anos, em acidente de carro na rodovia Ayrton Senna, vinha tentando reaproximar Pitta e Maluf. "Ele sempre tentou restabelecer a ligação da qual ele também foi padrinho", disse Pitta.
Emocionado, Maluf tentava segurar o choro durante o velório. "Ele era um paradigma de honestidade e lealdade", disse. Pitta chegou à Assembléia Legislativa meia hora depois de Maluf. Eles se evitaram, ainda que estivessem muitas vezes perto um do outro. Maluf não quis comentar os desentendimentos com o prefeito nem tampouco sobre a escolha do substituto para o cargo de Eid, que foi tesoureiro de suas campanhas. Disse que a opinião do colega era sempre importante, apesar de muitas vezes ser divergente do que ele pensava.
Pitta atribuiu à experiência de campanha Eid à sua eleição na Prefeitura de São Paulo. "Tenho uma imensa gratidão", destacou. Nenhum militante do PPB quis arriscar o nome do substituto de Eid nas próximas campanhas de Maluf. "Há muita gente boa que está aqui mesmo no velório, mas é melhor deixar isso para o Paulo Maluf resolver", disse o deputadoa federal Adhemar de Barros Filho (PPB). Para o prefeito de Santos, Beto Mansur, também do PPB, Eid "é insubstituível".
Para o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti, "Maluf perde um articulador visionário". Diversos políticos e empresários passaram pelo velório como o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB); o senador Romeu Tuma (PFL); os empresários Antonio Ermírio de Moraes e Lázaro Brandão; e até o empresário mega-especulador Naji Nahas, que circulou pelo hall da Assembléia segurando um terço prateado.
Eid e Maluf ficaram amigos na década de 60, quando Maluf era presidente da Associação Comercial de São Paulo. Na década de 70 ele trabalhou como secretário de Abastecimento do governo Maluf. Na mesma gestão foi diretor da Fepasa. Entre 1979 e 1983 foi chefe da Casa Civil de Maluf. Depois disso, assumiu o cargo de tesoureiro das campanhas do ex-prefeito. Eid esteve envolvido no caso Paubrasil, como ficou conhecido o escândalo da arrecadação irregular de doações para as campanhas malufistas.
Maluf esteve com Eid pouco tempo antes de ele morrer. No sábado, o ex-tesoureiro foi visitar Maluf em sua casa em Campos do Jordão. "Tomou café, água e recusou almoço porque queria almoçar junto com a esposa, Odete", disse Maluf. Durante o trajeto, Eid perdeu o controle do volante, o carro capotou no quilômetro 21 da Ayrton Senna e ele morreu no local.

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