São Paulo, 20 (AE) - Sem citar o nome do presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex-prefeito Paulo Maluf disse hoje que falta "um pouco de autoridade" ao governo. A crítica foi feita, quando Maluf avaliava a possibilidade de apoiar uma eventual candidatura do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), à presidência da República.
"Não disse que apoiaria o ACM. O que disse e confirmo é que ACM seria um bom candidato e, se eleito, um bom presidente da República, porque, hoje, o que está faltando nesse País é um pouco de autoridade. E essa virtude o senador tem", afirmou Maluf, após participar da convenção paulista do PPB que elegeu sua nova Executiva.
Ao avaliar a tumultuada permanência de apenas três dias do delegado João Batista Campelo no comando da Polícia Federal, Maluf voltou a criticar o governo federal. Segundo ele, Fernando Henrique teve três meses para escolher o substituto do delegado Vicente Chelotti e a Polícia Federal tem, nos seus quadros, dezenas de bons delegados que poderiam ocupar o cargo. "Titubear numa decisão pode ser pior do que tomar uma decisão errada", disse Paulo Maluf.
Apesar dos desentendimentos históricos e presentes com ACM, que se aproxima politicamente do governador Mário Covas em São Paulo, Maluf não quis falar das brigas entre o senador e o presidente da Câmara, Michel Temer, e também com o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Carlos Velloso. "Isso não me diz respeito. Toda divergência gera uma convergência", desconversou Maluf.
Sobre a queda da popularidade do presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex-prefeito disse que a rejeição crescente, apontada pelas pesquisas, deveria ser "um estímulo" para que ele procurasse melhorar seu governo. "Pesquisa ruim não é o fim da linha. É um estímulo para melhorar", afirmou, explicando que o País não deseja que o presidente da República "erre", mas, sim, que ele "acerte".
Candidatura indefinida - Mais uma vez, Maluf não confirmou se será candidato ao governo de São Paulo ou à presidência da República em 2002. "Meu nome vai estar na cédula eletrônica", afirmou, acrescentando que não disputará a prefeitura paulistana, mas que seu partido, o PPB, terá candidato próprio. "Como não sou tucano, vou subir no palanque desse candidato." Um pouco antes, ao discursar na convenção, Paulo Maluf mostrou sua incansável disposição para disputar mais uma eleição, afirmando: "Se vocês (os convencionais) me quiserem mais uma vez, eu digo que dou um boi para não entrar (na disputa), mas uma boiada para não sair. Eu amo vocês, amo meu Estado, São Paulo, e amo meu País".
O ex-prefeito refutou a pesquisa do instituto Brasmarket
publicada na edição desta semana da revista "IstoÉ", que apontou que 44% dos eleitores não votariam nele e que 21% dificilmente votariam, totalizando 65% dos eleitores. "Tenho muito respeito pela revista, mas a pesquisa não condiz com a verdade", afirmou o ex-prefeito, preferindo citar uma pesquisa do DataFolha, publicada pelo jornal "Folha de São Paulo", que o coloca à frente do governador Mário Covas, numa eventual disputa pela presidência.
Na convenção desta manhã, o PPB elegeu seu novo Diretório Estadual. O ex-deputado Marcelino Romano foi substituído pelo ex-deputado Adhemar de Barros Filho, que comandará o PPB paulista nos próximos dois anos.

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