São Paulo, 12 (AE) - O ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) atribuiu à "pequenez de interesses políticos" a abertura de ação penal apontando-o como réu no processo por crime contra a honra do presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo o pepebista, a medida é "absurda". Ao lado do ex-presidente do Banco do Brasil Lafaiete Coutinho e do pastor Caio Fábio DAraujo, Maluf é suspeito de ter promovido a divulgação do dossiê Cayman - documentos com fraudes que pretendiam comprovar a existência de uma conta milionária no paraíso fiscal das Ilhas Cayman em nome do presidente, do governador Mário Covas e dos ministros José Serra (Saúde) e Sérgio Motta (Comunicações), morto em abril de 1998. Eles eram apontados como sócios da empresa CH, J & T. Em nome da empresa, os tucanos teriam US$ 368 milhões depositados na ilha caribenha.
Ontem (11), o juiz Marcus Vinicius Reis Bastos, da 12ª Vara da Justiça Federal, em Brasília, aceitou denúncia apresentada na semana passada pelo procurador-chefe da Procuradoria da República no Distrito Federal, Luiz Augusto Santos Lima, contra o ex-prefeito, Coutinho e Caio Fábio. Inquérito realizado pelo Ministério Público Federal considerou-os culpados pela divulgação criminosa do dossiê. As declarações de Maluf foram feitas por meio de sua Assessoria de Imprensa, que distribuiu uma nota oficial. No sábado, a equipe malufista já havia divulgado mensagem idêntica, referindo-se à denúncia do procurador. O ex-prefeito nega "ter visto ou divulgado o pretenso dossiê". Ele, "mais uma vez, ressalta que nem sabe se o dossiê existe".
Maluf está na Europa desde a semana passada. Ele soube da abertura formal do processo em Mônaco, onde assistirá ao grande prêmio de Fórmula 1 no domingo. O ex-prefeito não tem data marcada para voltar ao Brasil, mas, segundo a Assessoria de Imprensa, deve retornar a São Paulo na semana que vem. Seu depoimento no caso foi marcado para 23 de junho. Lafaiete Coutinho e Caio Fábio serão ouvidos no mesmo mês. Respectivamente, nos dias 22 e 24.
Entre outros elementos, a denúncia contra o ex-prefeito foi baseada na visita de suas duas filhas e uma nora, filha de Coutinho, à então candidata do PT na sucessão estadual, Marta Suplicy. Às vésperas do primeiro turno das eleições, quando a liderança de Maluf na disputa era ameaçada por Covas (PSDB), elas procuraram Marta para discutir o dossiê e pedir que ela o divulgasse.

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