Brasília, 10 (AE) - O presidente nacional do PPB, Paulo Maluf, condicionou hoje, no Congresso, o apoio do partido às medidas de interesse do governo à votação das reformas fiscal e tributária.
Maluf passou três meses fora do País. Ele disse que o apoio da bancada da Câmara, ontem (09), à emenda que reinstitui a Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF) "foi um voto de confiança". Segundo ele, isso não se repetirá daqui para a frente, se o governo continuar adiando a votação dessas reformas. A bancada do PPB é formada por 52 deputados e 3 senadores.
"Votamos a CPMF a contragosto porque somos contra o aumento de impostos", frisou. "Agora, esperamos que o governo cumpra com a sua promessa." Maluf antecipou que, se as reformas não avançarem, o PPB vai rejeitar a emenda que cria o Imposto Verde. O ex-governador de São Paulo disse que não conversou com o presidente Fernando Henrique Cardoso na passagem por Brasília porque não pediu uma audiência.
"Cheguei no Brasil há seis dias", justificou. Ele previu que o País terá dificuldades em cumprir com as exigências feitas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) na revisão do acordo que garantirá o socorro financeiro de U$S 41,5 bilhões. A alegação dele é a de que será impossível atingir a meta de obter um superávit na balança comercial de U$S 11 bilhões, quando o déficit hoje é de U$S 7 bilhões. "Acho muito difícil cumprir as exigências", frisou. O ex-governador de São Paulo disse que seria "desejável" o cumprimento dessas metas. "Mas, se elas serão cumpridas, eu não sei", insistiu.
Maluf evitou atacar diretamente a política econômica do governo, mas voltou a protestar contra as altas taxas de juros. Na avaliação dele, os pequenos e médios empresários serão os mais prejudicados pela inadimplência dos clientes. "Alguns vão a concordata", previu. Para ele, as taxas de juros elevadas, que considera "pornográficas", "vão matar o consumidor e as forças produtivas do País".
Maluf acusou a imprensa de estimular os parlamentares a trocar de partidos, ao tratar como "heróis" os que vão para uma outra legenda.
"Cada vez que a imprensa exalta a traição, vamos ter a política do troca-troca", afirmou. Para ele, não há justificativa para o fato de o deputado se eleger com os votos proporcionais e depois trocar de legenda. "É como se ele dizesse: Amanhã, vou para a cama com a minha amante e não com a minha mulher fiel que me elegeu", comparou. Segundo ele, os motivos da troca devem ser perguntados aos próprios parlamentares e não a ele, que está na mesma legenda há 32 anos.

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