Maluf chama Pitta de mentiroso e nega integrar articulação pró-impeachment
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segunda-feira, 17 de maio de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 18 (AE) - O presidente nacional do PPB e ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, afirmou hoje que prefeito Celso Pitta (sem partido) mentiu ao vinculá-lo ao suposto complô político para afastá-lo do cargo por meio de impeachment. Maluf, que desembarcou às 6 horas no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, Guarulhos, depois de quase duas semanas na Europa, voltou ao Brasil disposto a encerrar os comentários de que estaria articulando, com o ex-ministro e deputado federal Luiz Carlos Santos, o impeachment de seu afilhado político e sucessor.
"Se o senhor Celso Pitta recebeu essa informação recebeu-a de uma pessoa mal-informada e se continua a repeti-la é uma pessoa mentirosa", disse Maluf. "Ele está mentindo, acho que não é compulsoriamente mentiroso, mas está mentindo nesse caso." Na semana passada Pitta disse acreditar no envolvimento direto de Maluf pelo fato de o ex-ministro Luiz Carlos Santos ser um dos "artífices" da articulação para que as acusações feitas pelo PT fossem transformadas em denúncias.
De acordo com o ex-prefeito de São Paulo, um indicativo de que não integra nenhuma articulação é o fato de a maioria dos vereadores do PPB estar disposta a apoiar o governo."Não tenho nenhum envolvimento, dos 15 vereadores do PPB 12 estão votando com o prefeito; ora, se eu estivesse envolvido no assunto, você pode ter certeza de que o escore seria diferente", disse.
Estratégia - Maluf insistiu na tese de que não tem ligação com a administração municipal e que Celso Pitta mudou. A estratégia do ex-prefeito é mostrar para a opinião pública que, apesar de ter indicado Pitta como candidato, não pode ser responsabilizado pela mudança de comportamento do seu ex-secretário das Finanças e do Planejamento.
A estratégia foi definida pelos principais conselheiros políticos de Maluf. Com base em pesquisa recente, o comando malufista entende que o ex-prefeito precisa forçar a comparação entre a sua administração e a que está sendo feita por Pitta. O trabalho começou quando Maluf afirmou que não tinha nada a ver com a administração municipal. No dia seguinte, Pitta rompeu politicamente com o seu padrinho político e deixou o PPB.
Os estrategistas de Maluf apostam que o único argumento possível, caso ele decida disputar uma nova eleição, será explicar que Pitta não correspondeu às suas expectativas e por isso quer candidatar-se novamente para reparar os danos causados por seu sucessor. O ex-prefeito não admite, mas está seguindo a orientação.
"Quando ele foi meu secretário ele funcionou, agora, quando se viu sozinho parece alguém que não teve o mesmo dinamsmo", disse Maluf. A permanência do ex-secretário de Governo Edevaldo Alves da Silva não ocorreu por indicação sua, esclareceu, mas a pedido de Pitta."O Celso Pitta pediu pelo amor de Deus para manter o Edevaldo, porque senão ele não conseguiria administrar."Ele disse não ser contra e nem a favor do impeachment de Pitta.
Internamente, malufistas comentam que um eventual afastamento do prefeito não seria favorável ao ex-prefeito Paulo Maluf. E é justamente por isso que há pessoas do cenário político nacional e paulistano que ainda não acreditam no total rompimento entre ambos.
Desconfiança - Apesar das ofensas trocadas nas últimas semanas, dirigentes estaduais do PFL desconfiam do rompimento entre Maluf e Pitta. Vários integrantes daquele partido acham que o ex-prefeito retornou para ajudar Pitta a enfrentar a crise política aberta com possibilidade de o impeachment ser aprovado pela Câmara Municipal.
Perguntado se o eventual impeachment de Pitta não o prejudicaria politicamente, Maluf disse apenas "estar fora disso". "Se eu posso dar um conselho de amigo ao Celso Pitta, para ele não sofrer o impeachment ele precisa começar a trabalhar; acordar cedo, dormir tarde, trabalhar muito e sair como eu saí: com aprovação de 92% da opinião pública."


