Malta diz que advogado de Mathias quis tumultuar trabalho da CPI
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quinta-feira, 16 de dezembro de 1999
Por Hugo Marques 
Brasília, 16 (AE) - O presidente da CPI do Narcotráfico, deputado Magno Malta (PTB-ES), evitou confronto com o ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello. Malta disse hoje que em nenhum momento os parlamentares descumpriram a decisão do STF. Segundo o deputado, na sessão da CPI na última quarta-feira o advogado Laertes Torres, que defendeu o advogado Arthur Eugênio Mathias, fez todos os apartes necessários e não deixou de defender o cliente. Para Magno, foi o advogado que descumpriu a decisão, com a suposta finalidade de conturbar os trabalhos da CPI.
"Nós não descumprimos a decisão", disse Magno. "O advogado é que desrespeitou e tentou falar com o cliente sem pedir." O presidente da CPI afirmou que chegou a dizer ao advogado que adotaria as regras do Código Penal, se necessário, atendendo a pedido feito pelo próprio advogado.
Magno Malta disse que não vai entrar em choque com o ministro Celso de Mello por entender que "esta briga só beneficia os bandidos, os traficantes". O deputado disse respeitar a decisão do ministro, mas afirmou que os problemas estão surgindo porque é uma medida nova, que necessita de maior definição. "Mas isto virou problema de poder para poder e eu não quero entrar mais nisso", declarou Magno. Segundo o parlamentar, o assunto deverá ser esclarecido quando a Câmara votar projeto mudando o regimento interno, definindo com detalhes a participação de advogados em CPIs.
Sigilo - Malta disse que o presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, José Carlos Gratz (PFL), está transformando em "assunto pessoal" as investigações sobre narcotráfico, ao tentar quebrar seu sigilo simplesmente por ele ser presidente da CPI do Narcotráfico. "Ele nem apresenta os motivos pelos quais pretende quebrar meu sigilo", disse. Magno afirmou que Gratz deveria quebrar os sigilos de autoridades do Judiciário e do Ministério Público, se sua pretensão é atingir as pessoas que o apontam como envolvido com o crime organizado. "Não sou eu que faço as acusações".
O presidente da CPI do Narcotráfico afirmou que no próximo dia 11 vai apresentar todos os extratos bancários de sua conta e de familiares próximos, para quem quiser ver. Malta, que é também cantor de música gospel, e com o dinheiro que ganha sustenta duas instituições de recuperação de viciados em drogas, disse que nada tem a esconder da sociedade brasileira.


