Malhar para conquistar independência
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de março de 2006
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Alongamento, esteira, musculação. Estas e outras atividades simples de academia conhecidas por promover a saúde física ganharam agora uma nova função: auxiliar na socialização de pessoas com deficiência ou doença mental.
É claro que não é qualquer paciente que pode freqüentar academias, vai depender do grau de deficiência de cada um, além de uma orientação específica. Mas os exercícios na academia Fitness têm ajudado alguns pacientes da psicóloga Andréia Parente da Silva a melhorar sua forma de lidar com o mundo através do contato com pessoas.
Andréia, que é mestre em educação especial pela Unesp de Marília, trabalha com análise do comportamento e socialização dos deficientes através de um método desenvolvido em conjunto com a também psicóloga Renata Grossi. Ela conta que a idéia de levar alguns pacientes para acompanhar as aulas só foi posta em prática ao perceber que havia uma abertura por parte da academia que freqüentava.
Em um primeiro momento, o proprietário da empresa, Rodolfo Furlan, permitiu que os alunos com deficiência fossem assistir às aulas sempre acompanhados por Andréia. O interesse tanto por parte da academia quanto por parte desses alunos foi mútuo. Foi a deixa para que os jovens atendidos pela psicóloga também pudessem começar a participar das atividades, orientados por professores devidamente instruídos.
Ficamos duas semanas conversando com a Andréia, tirando dúvidas. Ela esclareceu todos os detalhes e nós nos sentimos seguros para trabalhar com eles, conta o instrutor Wilson Canedo Gomes, mais conhecido como Bart. Ele e a professora Luciene Souza são responsáveis pelo acompanhamento individual de Wanderlice Takahashi e Marcela de Melo Jorge, respectivamente. O trabalho não é fácil, mas, a recompensa ao ver a evolução delas é muito grande, avalia Luciene.
O objetivo do trabalho é que os deficientes conquistem cada vez mais sua independência. Para tanto, Andréia utiliza situações do dia-a-dia, em atividades simples do cotidiano como trocar de roupa para sair, por exemplo. Apesar de serem inter e multidisciplinares, grande parte dessas ações, porém, envolve apenas o paciente e o profissional, sem colocá-los em contato com outras pessoas. A academia é um excelente ambiente para trabalhar a socialização, até mesmo pela faixa etária em que estão. E elas têm se sentido super à vontade, observa a psicóloga.
A grande receptividade por parte dos outros freqüentadores do local tem contribuído muito para os resultados positivos que a iniciativa vem apresentando. No começo tive medo da reação dos outros alunos, mas depois concluí que, quem rejeitasse não estaria de acordo com a nossa proposta, e não deveria estar aqui mesmo. Felizmente a receptividade foi surpreendente, muito além do que eu imaginava, afirma Rodolfo. O proprietário da academia confessa que a princípio ficou receoso com a idéia, mas resolveu apostar nela após a psicóloga convencê-lo de que era um trabalho viável.
Hoje, a Fitness tem cinco alunos com deficiência ou doença mental. A meta é preparar mais pessoas, para que tenham condições de iniciar essa atividade também, expõe a psicóloga. Todo mundo tem suas deficiências. Um deficiente mental é uma pessoa que apresenta um pouco mais de dificuldades para interagir com as pessoas, mas isso não significa que ele seja incapaz desse convívio. Precisa apenas de uma orientação adequada e oportunidade, lembra.


