São Paulo Atividades físicas comuns como caminhar até a padaria e subir um lance de escadas podem fazer a diferença entre ser sedentário e ser ativo. A classificação não separa apenas estilos de vida: separa pessoas com mais chances e menos chances de cair doentes.
O sedentarismo é considerado hoje um problema de saúde pública tão grave quanto a obesidade, a hipertensão e o diabetes. Ser sedentário agrava todas as outras enfermidades. Estudos em vários países estimam que entre 50% e 70% das pessoas são sedentárias. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 2 milhões de pessoas morram por ano, no mundo, por conta disso.
Os benefícios da atividade física leve e moderada estão em alta no Dia Mundial da Saúde, comemorado hoje. Dedicado ao combate ao sedentarismo, o dia foi batizado de Agita Mundo.
A OMS tomou como modelo o programa Agita São Paulo, criado por um centro de pesquisa em aptidão física de São Caetano do Sul, o Celafiscs, e mantido pela Secretaria de Estado da Saúde. O Agita Mundo foi lançado na sexta pela diretora da OMS, Gro Harlem Brundtland, que esteve em São Paulo. Hoje, em cerca de 190 países, milhões de pessoas estarão fazendo alguma atividade física.
‘‘O programa Agita está onde a vida acontece, em casa, no trabalho, no lazer, no transporte’’, diz Victor Matsudo, 53, especialista em medicina esportiva e coordenador do Agita São Paulo.
A diferença entre o Agita e outros programas de exercícios é que ele valoriza as atividades do cotidiano, como caminhar e realizar tarefas domésticas. Não requer aparelhos, aquecimento ou prática anterior, pode ser feito em vários momentos do dia e dispensa acompanhamento médico.
‘‘Ninguém precisa de avaliação médica para caminhar’’, diz Turíbio Leite de Barros Neto, 51, fisiologista do São Paulo FC e coordenador do Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte (Cemafe) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O Cemafe é um dos cerca de 200 parceiros integrados ao Agita São Paulo.
A proposta do programa é levar a pessoa a realizar 30 minutos diários de atividade física de forma a queimar 200 calorias, chegando a 1.400 calorias por semana. Com outras 600 consumidas em diferentes movimentos do dia, a pessoa atingirá o limiar de 2.000 por semana, saindo da faixa de risco do sedentário e passando a ativo.
Victor Matsudo diz que o programa Agita vem beneficiando também a saúde mental. ‘‘Aqueles que se movimentam ficam menos deprimidos, menos estressados.’’ Há também o que ele chama de efeito na ‘‘saúde social’’, com possível redução da violência. Nas cercas de 200 escolas que abrem as portas nos fins de semana em São Paulo para várias atividades físicas, as diretoras reportam queda no vandalismo, redução de distúrbios entre os alunos e uma diminuição da evasão escolar.

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