Curitiba - Começou ontem o trabalho de vistoria nos trilhos da malha ferroviária da concessionária América Latina Logística (ALL). Técnicos de várias entidades vão vistoriar quatro trechos da malha para checar se eles trazem riscos para passageiros e para o meio ambiente, conforme apontou o relatório de inspeção da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), divulgado em janeiro.
O relatório da ANTT foi elaborado a partir da visita para vistoria que a agência realizou nas áreas administradas em setembro do ano passado. O relatório, que deveria ser confidencial, chegou às mãos da imprensa e revela que ramais ferroviários sob responsabilidade da ALL no Paraná apresentam riscos de acidentes ambientais pela má conservação de trechos da malha ferroviária. O documento prevê, ainda, que, para evitar acidentes, a empresa deve traçar planos para acabar com problemas como o desgaste em trilhos e dormentes, drenagem precária e falta de nivelamento correto da linha férrea.
A partir desse documento, o Ministério Público Estadual determinou as vistorias. O primeiro trecho, fiscalizado ontem, foi a linha entre Curitiba a Paranaguá. O engenheiro Ricardo Santos da Silva, do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge) acompanhou a vistoria até Morretes e informou que foram encontrados vários trechos com dormentes desgastados. Os outros integrantes do grupo de vistoria não tinham retornado a Curitiba até o fechamento desta edição.
Hoje os trabalhos continuam com a vistoria da linha entre Curitiba e Ponta Grossa. Amanhã e depois os técnicos visitam o trecho entre Ponta Grossa e Guarapuava e, na sexta e sábado, Ponta Grossa e Apucarana. Os trechos mais críticos, segundo a ANTT, estão localizados entre Marques dos Reis e Jaguariaíva (209 quilômetros de extensão), e Morretes e Pinhais (130 km).
A inspeção está sendo feita por técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge), Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-PR), Defesa Civil, Associação de Engenheiros da Rede Ferroviária Federal, Sindicato dos Maquinistas e Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Antes de iniciar a viagem pela linha férrea até Morretes, os técnicos fizeram uma visita às instalações da empresa e assistiram a uma apresentação sobre os investimentos e melhorias feitas pela ALL desde a compra da Rede, em 1997. A ANTT deu prazo de 90 dias para que a empresa tome as medidas necessárias para corrigir as irregularidades.
A ALL, no entanto, não concorda com a conclusão de que sua malha ferroviária não seja segura e alega que ''se fosse assim, a ANTT teria interditado as linhas''. A empresa cita, ainda, que reduziu em 65% o número de acidentes desde a privatização apesar do transporte ter aumentado de 11 milhões de toneladas ao ano para 21 milhões de toneladas nos 7,3 mil quilômetros de malha administrada por ela.

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