Males da vida moderna
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segunda-feira, 04 de dezembro de 2006
Reportagem Local 
Comidas industrializadas, falta de tempo, vida estressante, culto excessivo ao corpo. Esse conjunto de fatores característicos da vida moderna mudou a forma das pessoas lidarem com o próprio corpo e com as refeições. E a conseqüência não poderia ter sido mais desastrosa. De um lado, há aqueles que lutam contra a obesidade e não conseguem lidar com a comida de maneira saudável; do outro, houve um crescimento alarmante nos casos de bulimia e anorexia, doenças que também revelam a dificuldade do ser humano em lidar com a alimentação e a beleza.
A psicóloga Elsie Pereira da Silva é quem faz o alerta para o crescente número de casos dessas enfermidades. Na análise dela, um dos grandes inimigos dessa onda é justamente a relação que os homens têm hoje com a alimentação. Os rituais mudaram e o ato de comer hoje é solitário, feito às pressas e sem horário definido, destaca. E essas transformações, aliadas à preocupação desmedida pelo próprio corpo, originaram os grandes males desse século.
A obesidade, segundo Elsie, aumentou muito com a entrada da mulher no mercado de trabalho e trouxe com isso uma gama de outras doenças. Como conseqüência, vem o preconceito, a depressão, a hipertensão arterial, a diabetes e as dificuldades respiratórias, exemplifica. Dificuldades em resolver problemas internos podem ser a causa de muitos casos de obesidade. Por isso Elsie aponta que o trabalho do psicólogo pode ser a chave para a descoberta de um relacionamento saudável com a alimentação. As pessoas comem em excesso para compensar algo que não está funcionando bem, afirma.
Mas é no outro extremo que se concentram as principais preocupações com o transtorno alimentar. O ideal de beleza baseado nos padrões de modelos famosas massacra
a maioria das mulheres que vivem em busca da perfeição. A anorexia, diz Elsie, é caracterizada por uma rigorosa restrição alimentar. Já as pessoas que apresentam um quadro de bulimia costumam comer compulsivamente e depois provocam um vômito ou fazem uso de laxantes e diuréticos. Esses dois problemas se tornaram muito preocupantes a partir das décadas de 70 e 80, recorda a psicóloga.
Para ela, a preocupação com a imagem corporal parece ser o dispositivo que desencadeia os quadros de transtornos alimentares. E em busca dessa imagem perfeita, muitos indivíduos, em especial os adolescentes, passam por sofrimentos e prejudicam a própria saúde. Cabe um novo olhar sobre o problema. É preciso mostrar o que é saudável e encontrar um equilíbrio. A pessoa precisa gostar do que é seu, frisa Elsie.
Há casos de meninas com bulimia e anorexia que apresentam simultaneamente um quadro de autoflagelação. De acordo com Elsie, elas se punem por terem comido além do que achavam necessário. Estive em um congresso e deram o exemplo de uma adolescente que colocava taxinhas no corpo para se autoflagelar, destaca a psicóloga.
A chegada do verão aumenta a obsessão pelo corpo perfeito. E nessa hora é preciso informar e orientar para que não apareçam novos casos de bulimia e anorexia. Vamos olhar de uma maneira mais prazerosa para o que nós temos, aproveitar a saúde e diminuir as idealizações, ensina a psicóloga.


