Paris - Os recursos continuam sendo escassos para combater de forma eficaz a malária, que mata mais de um milhão de pessoas no mundo a cada ano - 89% na África e 1% na América Latina -, segundo o relatório mundial publicado nesta terça-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Embora tenha havido avanços no acesso à prevenção e aos tratamentos, é ‘‘muito cedo’’ para determinar se o peso global da malária aumentou ou diminuiu desde o ano 2000, concluíram a OMS e o Unicef.
No fim de 2004, cerca de 3,2 bilhões de pessoas viviam em áreas atingidas pela malária: 107 países afetados, onde segundo estimativas de 350 a 500 milhões de pessoas sofreriam a cada ano da doença.
De acordo com o relatório, as mortes causadas pela malária no mundo ocorrem em maioria na África (89%), na América Latina (1%) e na Ásia, Oceania e Oriente Médio (10%).
A doença mata mais de um milhão de africanos ao ano, sobretudo crianças com menos de cinco anos.
Basta uma única picada do mosquito transmissor. Uma criança muito pequena, cujo organismo não consegue se defender de forma apropriada, pode vir a falecer no mesmo dia, advertiu o relatório. Debilitadas pela malária, muitas crianças também morrem de diarréia ou infecções respiratórias, uma mortalidade indireta talvez ainda mais importante.
Richard Feachem, diretor-executivo do Fundo Mundial para a Luta contra a Aids, a Tuberculose e a Malária, disse recentemente que a malária causaria ‘‘provavelmente três milhões’’ de mortes a cada ano.
Seriam necessários 3,2 bilhões de dólares ao ano (dos quais 2 bilhões só na África) para combater de forma eficaz a malária nos 82 países mais afetados. A cifra é cinco vezes superior aos ‘‘600 milhões de dólares’’ disponíveis este ano, alertaram o Unicef e a OMS.
Estas duas organizações, junto com o Banco Mundial, lançaram em 1998 uma iniciativa para fazer a malária retroceder. Batizada de ‘‘Roll Back Malaria’’, tem como objetivo reduzir à metade a mortalidade causada pela doença até 2010.
Uma meta ‘‘impossível de alcançar agora’’ devido ao atraso acumulado, segundo a revista médica britânica Lancet, que recentemente criticou a iniciativa.

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