Belém, 09 (AE) - A malária já matou 90 pessoas em três meses, 20 delas nos últimos 15 dias, no município de Nova Esperança do Piriá, de 17 mil habitantes, no nordeste do Pará. A situação mais grave é registrada nas localidades de Alegria, Cristo Rei e Arrependido, onde cerca de 1.500 pessoas fugiram para a sede do município em busca de ajuda. "O descaso das autoridades é completo", denuncia o padre Gerinaldo Messias de Carvalho, do município vizinho de Garrafão do Norte.
Acompanhado de políticos, comerciantes e religiosos da região, Carvalho esteve em Belém para exigir apoio do governo estadual no combate ao mosquito anofelino, transmissor da doença
além de atendimento aos doentes. Em Nova Esperança do Piriá, só existem dois postos de saúde, um deles fechado por falta de médicos. Além disso, a energia elétrica do posto chegou a ficar cortada durante dois dias por falta de pagamento. Sem recursos - Segundo o religioso, a responsabilidade pelo que está ocorrendo é da prefeitura, que recebeu equipamentos e remédios para combater a doença, mas até agora não tomou providências. A vereadora Maria Zilda Menezes (PMDB) conta que, no início do ano, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) forneceu materiais e medicamentos para garantir o atendimento às comunidades, mas faltaram recursos para o deslocamento das equipes. "O governo federal suspendeu o repasse de verbas da área social para a prefeitura porque ela não prestou conta do que recebeu nos anos anteriores", afirma Maria Zilda. O prefeito Joaquim Vicente da Costa (PSDB) não foi encontrado hoje pela reportagem.

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