Malária cresce 45% no Amazonas
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terça-feira, 28 de dezembro de 1999
Por Liliane Maia (especial para a AE) 
Manaus, 28 (AE) - Os órgãos ligados à saúde decidiram mudar a estratégia de combate à malária no Amazonas. Devido a dificuldade de erradicar o mosquito transmissor da doença (o Anofelino) em áreas como a Floresta Amazônica, por suas dimensões e características, a Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMT-AM), referência no País no tratamento de doenças tropicais, está agora priorizando o diagnóstico e o tratamento do homem, ao invés do combate ao mosquito através de inseticidas.
Os casos de malária no Amazonas devem fechar 1999 com um índice 45% superior ao registrado no ano passado. Um recorde de ocorrência com 167 mil novos casos, só perdendo em incidência para o estado do Pará, cuja estimativa para este ano é de 190 mil casos. Nos últimos três anos os casos de malária no Amazonas subiram de 94.382 em 97 para 158.449 até o mês de novembro deste ano.
A previsão da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMT-AM) era a de que os números da doença fossem ainda maiores: cerca de 180 mil novos casos até dezembro, mas o esforço conjunto realizado já vem permitindo uma diminuição nas ocorrências, explicou o presidente da Fundação de Medicina Tropical, médico Wilson Alecrim. Segundo ele, o primeiro resultado dessa parceria pôde ser observado no mês de outubro, com uma redução de 6 mil casos com relação ao mês de setembro.
Para atingir a meta de nos próximos três anos reduzir em 50% o número de casos da doença está sendo montada uma frente envolvendo a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, além dos órgãos ligados a saneamento básico. De agosto a 10 de dezembro deste ano, médicos, enfermeiros, bioquímicos e inspetores que atuam nos 62 municípios do Estado receberam treinamento. Ao todo, cerca de mil profissionais de saúde já estão a postos para diagnosticar e iniciar o tratamento imediatamente. Para o ano 2000 estão previstos previstos treinamentos para outros 7.000 profissionais que atuam no Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACs), do Governo Federal em parceria com Estado e municípios. A meta é que ao primeiro sinal de febre, acompanhada de dores, calafrios e suor abundante, sintomas da malária, essas pessoas tenham a sua disposição possibilidade de diagnóstico e tratamento imediato. O mosquito, conhecido como Anofelino, precisa picar uma pessoa portadora do parasita da malária para transmitir a doença. A possibilidade de propagação da doença pode ser diminuída na mesma proporção em que o tratamento for iniciado.
A malária já foi registrada em todos os 62 municípios do Amazonas mas a incidência maior vem ocorrendo em 32 deles, dos quais nove estão próximos à capital, o que provocou um aumento de 92% no atendimento registrado na Fundação de Medicina Tropical se comparado ao ano passado. Só em Manaus o número de casos da doença aumentou em 39% no período de janeiro a outubro.


