Brasília, 5 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, encerrou há pouco sua exposição inicial, de aproximadamente 45 minutos, na comissão mista do Congresso que examina a medida provisória que fixou o piso salarial do País em R$ 151,00. Na exposição, o ministro repetiu os argumentos já expostos na comissão especial da Câmara que examinou propostas para o reajuste do salário mínimo, voltando a criticar o que chamou de "soluções simplistas" apresentadas por críticos do governo.
Segundo Malan, ao contrário do que dizem alguns críticos
o governo não pode, num regime democrático, "sair por aí pegando R$ 26 bilhões das pessoas", como sugerem alguns ao defender a cobrança imediata de tributos questionados na Justiça ou a suspensão de isenções fiscais. O ministro voltou a citar dados segundo os quais o salário mínimo teve um ganho real de 22% no governo Fernando Henrique que pode chegar a 89,7%, se comparado à variação da cesta básica. Malan sugeriu que os partidos políticos consultem seus prefeitos sobre suas propostas de reajuste do mínimo, pois é nas prefeituras onde haverá a maior parte do impacto da elevação desse salário.
Ele afirmou, ainda, que sua preocupação não é com o impacto do reajuste na inflação do mês em que ele ocorrer, mas sim com o efeito sobre as expectativas, afetando juros futuros e câmbio futuro, em virtude da percepção de que o Estado não terá condições de pagar o custo do reajuste e sofrerá grave deterioração fiscal. Alertou, ainda, que cada proposta de reajuste deve ser acompanhada de um estudo sobre seu impacto sobre a economia informal e o crescimnento do desemprego. "O pior inimigo é o salário zero dos desempregados", sustentou Malan. Neste momento, o ministro já está respondendo a questionamenos dos parlamentares na comissão mista.

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