Malan volta a atacar tese de desenvolvimentistas
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quinta-feira, 20 de maio de 1999
Por Rita Tavares e Rodney Vergili 
São Paulo, 21 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, voltou hoje a responder às críticas dos chamados desenvolvimentistas. Sem citar nomes, o ministro refutou as críticas de quem pede a retomada rápida do desenvolvimento, mesmo que isso traga a inflação. "Não há pirueta, não há canetada, não há ato de vontade do governo que possa resolver o problema", afirmou Malan, durante o seminário A Retomada Econômica em Questão. E sustentou a tese de que o desenvolvimento é fruto de ações consequentes. "É muito fácil criar uma bolhazinha de crescimento no curto prazo e por curto prazo; qualquer um sabe como fazê-lo", observou.
De acordo com o ministro, contudo, é falso o conflito entre o controle da inflação e o crescimento econômico. Argumentou que
tanto no primeiro como no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, há três objetivos básicos na área econômica e social para levar o País ao crescimento: a preservação da inflação sob controle, o crescimento econômico e a melhoria das condições de vida da maioria da população (objetivo mais importante, na avaliação de Malan). "Eles eram, são e no que depender de mim continuam sendo objetivos", ressaltou. "Não há ninguém que tenha o monopólio da bandeira do desenvolvimento no País."
O ministro disse que houve uma reversão das expectativas da economia brasileira. Ele afirmou que em janeiro os economistas faziam previsões de inflação de 50% a 80% para este ano, que a queda do PIB seria de até 8% e o dólar chegaria no fim do ano em R$ 2,50. Segundo Malan, essas previsões foram precipitadas e o governo conseguiu reverter as expectativas.
Ao falar sobre o cumprimento das metas fiscais fixadas em setembro do ano passado, Malan garantiu que o governo cumprirá as metas propostas para o fim do segundo trimestre. Segundo ele, a experiência do último trimestre de 1998 e do primeiro trimestre deste ano é um indicativo de que o governo tem capacidade de cumprir aquilo a que se propõe.
Ao falar da possibilidade da redução das taxas de juros nominais e reais, Malan disse que é importante observar que há condicionantes para que isso ocorra. Ele listou uma série de adversidades que precisam ser enfrentadas, como a votação de nova Reforma da Previdência e da Reforma Tributária como exemplos para ponderar que esse "se" não é um fator irrelevante.


