São Paulo, 13 (AE)- O ministro da Fazenda, Pedro Malan, voltou a afirmar, em entrevista hoje pela manhã à Rádio Eldorado
que prestará depoimento à CPI do Sistema Financeiro caso seja convocado ou convidado - como agora defende o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães. "Chamemos de convite ou de convocação, se chamado, irei (à CPI), e é o que tenho dito desde o início", repetiu. Malan reafirmou ainda que a operação de socorro aos bancos Marka e FonteCindam na ocasião da mudança da política cambial foi legal e de competência do BC e garantiu, mais uma vez, que não foi previamente informado sobre assunto.
Mas afirmou que o motivo pelo qual não foi informado da operação não deve ser questionado junto a ele. "A pergunta não deve ser dirigida a mim", respondeu. "Como disse Demosthenes (Madureira de Pinho Neto, ex-diretor de Assuntos Internacionais do BC), a operação era de competência do BC e o seu presidente concluiu que não precisava informar ao ministro da Fazenda". "A operação foi legal e dentro da competência do Banco Central. Mas por que não fui informado não é pergunta que deva ser dirigida a mim. Estão mentindo os que dizem que eu deveria ter sido informado", afirmou.
Demosthenes - Malan classificou como correta a avaliação do ex-diretor do BC, Demosthenes Madureira de Pinho Neto, em depoimento à CPI na terça-feira. Para explicar a operação de ajuda aos bancos Marka e FonteCindam, Demosthenes traçou um quadro dramático da situação brasileira após a mudança da política cambial. "O sentido geral (da fala de Demosthenes) é absolutamente correto", avaliou. "Tivemos (no passado) situações como essa, dramáticas, e não só nós. Nós e um número dramático de países", disse o ministro, citando o caso norte-americano da falência do fundo de hedge Long Term Capital Management (LTCM).
Segundo Malan, quando o Brasil estava começando a sair de uma dessas situações, com um apoio internacional "sem precedentes", enfrentou problemas como derrotas do governo no Congresso Nacional e a moratória de Minas Gerais. Esses problemas, segundo Malan, poderiam levar o País a perder o apoio externo. "Ficou claro, no final de dezembro, começo de janeiro, que o apoio ao Brasil podia acabar se esvaziando". Nesse sentido, segundo Malan, o quadro traçado por Demosthenes foi "absolutamente correto". "A situação era extremamente preocupante".
Juros - O ministro da Fazenda reconheceu que o Brasil está sujeito a sofrer os efeitos de crises externas que podem atrapalhar o País na trajetória de reduzir suas taxas de juros. Mas garantiu que é internamente que os problemas são resolvidos. "É possível que surjam turbulências do exterior, mas é aqui que batalhas fundamentais são ganhas ou perdidas", afirmou, citando como um "grande passo" a desregulamentação aprovada ontem pelo Senado do artigo 192 da Constituição. "Nosso futuro está em nossas mão, como sempre esteve", disse.

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