Malan tenta marcar diferenças entre o Brasil e o Equador
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de setembro de 1999
Por Monica Yanakiew 
Washington, 24 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan
marcou hoje as diferenças entre o Brasil e o Equador, que pode reescalonar a sua dívida externa na terça-feira que vem, com o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) e dos governos dos países ricos. "Espero que os mercados sejam capazes de diferenciar e perceber que cada caso é um caso", disse Malan.
O ministro falou durante uma palestra para empresários e banqueiros, reunidos no Congresso de Desenvolvimento Econômico Mundial - um evento paralelo à reunião anual do FMI e do Banco Mundial (Bird), que começa amanhã. O Equador e as possíveis consequências de sua crise, sobre outros países emergentes, tem sido o centro de debates entre as instituições financeiras internacionais e o setor privado.
Os banqueiros estão comparando o Equador à Rússia. Quando o governo russo decretou moratória da dívida externa em agosto do ano passado, os investidores imediatamente lembraram dos calotes dados pelos países latino-americanos na década de 80 e retiraram seus capitais dos países emergentes. Esse episódio desencadeou a crise no Brasil e a desvalorização do real.
No caso do Equador - que diz não ter condições de pagar os juros de sua dívida externa - a situação é outra. O FMI, o Bird e os governos dos países ricos estão dispostos a ajudar o pequeno país, desde que cumpra um programa de ajuste fiscal e negocie com os bancos privados o reescalonamento dos juros sobre seus bônus.
Isso está sendo visto pelos banqueiros como um incentivo oficial a uma moratória equatoriana. E, segundo eles, uma atitude dessas poderá até salvar o Equador agora, mas prejudicará outros países - entre eles o Brasil - que têm bônus Brady. Os Bradys são títulos criados em 1989, para resolver a crise da dívida da década de 80, garantidos por papéis do Tesouro americano.
Mas a posição do FMI, do Bird e dos governos dos países ricos é outra: não querem mais arcar com todo o peso da crise e destinar recursos públicos para evitar perdas do setor privado. Querem dividir as responsabilidades com os banqueiros.
Hoje Malan lembrou que o Brasil, quando negociou o pacote de ajuda financeira de US$ 41,5 bilhões com o FMI, o Bird e 20 países ricos, também pediu apoio aos bancos privados - mas preferiu convencer os banqueiros a cooperarem de forma voluntária a contar com a pressão do Tesouro americano para obrigá-los a manter seus investimos no País.
"Para nos, a participação do setor privado deve ser voluntária", disse Malan. Uma reestruturação imposta, acrescentou, "poderia ter o efeito oposto no médio e no longo prazos". Mas cada caso é um caso, ressaltou Malan, e os perfis das dívidas dos países são todas diferentes. "Não se deve pensar que existe uma única solução para todos", disse Malan. E concluiu: "Não há qualquer possibilidade que o Brasil faça um default nos seus Bradies".


