Washington, 26 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan
teme o risco de superaquecimento das economias industrializadas - em especial, dos Estados Unidos - e o surgimento de bolhas nos mercados de ativos, como ações. "Os Estados Unidos continuam a ter um papel crítico para sustentar a economia mundial", enfatizou. Caso se confirmem as expectativas de desaquecimento na economia norteamericana, o mais importante é que ela seja "suave", para não prejudicar o fluxo de recursos para os países em desenvolvimento.
As afirmações foram feitas no mais importante dos foros do Fundo Monetário Internacional (FMI) - o Comitê Interino. Esse comitê reúne 24 países, entre eles os mais ricos, como Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Itália e Inglaterra. Está em discussão o fortalecimento do Comitê Interino, para que ele ganhe funções executivas, em vez de ser - como até agora - um orgão de assessoramento do board de diretores do FMI.
"Políticas de prudência para o setor financeiro terão um papel importante no ordenamento e no êxito da liberalização das contas de capital, e na redução da vulnerabilidade de uma economia aos choques externos", assinalou ainda Malan. A globalização e a integração dos mercados financeiros contribuem para que os recursos "movam-se rapidamente para as regiões relativamente mais dinâmicas".
Em linha com as discussões que dominam a 54ª reunião do FMI, em Washington, Malan afirmou que é preciso ter em mente "a complexidade das ligações entre a economia e as finanças e os mecanismos de transmissão política entre as regiões". Supervalorização dos ativos e deterioração da conta corrente externa têm ocorrido tanto em países emergentes quando em economias maduras, observou.
O ministro da Fazenda disse que o Brasil enfrentou as dúvidas do mercado no início do ano, "quando as projeções para a economia brasileira eram muito pessimistas". O sistema de câmbio flutuante (adotado no Brasil) foi defendido pelo ministro.
As condições favoráveis para a economia brasileira foram recuperadas em decorrência, textualmente, de seis fatores: 1) "A decisão de continuar implantado o programa de estabilidade fisca; 2) A rápida revisão do programa com o FMI, o suporte continuado do Fundo e de 20 bancos centrais dos países desenvolvidos, e o acordo voluntário com os bancos comerciais para preservar as linhas de comércio e interbancárias; 3) A adoção e imediata implantação do sistema de metas de inflação para definir a política monetária; 4) O retorno dos esforços prévios para fortalecer o sistema bancário desde 1995; 5) Os resultados substanciais em produtividade alcançados pelas reformas estruturais implantadas desde 1990; 6) Os progressos obtidos com a desindexação da economia."
Malan defendeu soluções caso a caso para os países em dificuldades, com preferência para soluções negociadas, evitando empréstimos subsidiados para os países em dificuldades. Isto poderia tornar mais elevados os custos das operações do Fundo com os demais países.
O ministro afirmou que os recursos para financiar os países altamente endividados (HIPC) não devem ocorrer "às expensas dos fluxos existentes para outras regiões em desenvolvimento".

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