Malan tem o apoio do presidente, diz porta-voz
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quarta-feira, 01 de setembro de 1999
Por Tânia Monteiro e Isabel Braga 
Brasília, 02 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso reafirmou apoio ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, após o discurso do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Clóvis Carvalho. "O ministro Malan conta com o apoio integral do presidente", declarou o porta-voz do Planalto, Georges Lamazire, ao acrescentar que o presidente "não precisa repetir isso". Em resposta à defesa de uma guinada desenvolvimentista, feita por Carvalho, Fernando Henrique reiterou que "não haverá mudanças na política econômica".
O presidente disse que "quem define as diretrizes do governo é o presidente da República" e que "não há divergências na equipe ministerial porque não as permitiria". Segundo Lamazire, o presidente qualificou de "retóricas" as diferenças de tom entre os discursos dos dois ministros. "Se há diferenças de ênfase, mais retóricas do que substantivas, isso em nada altera essas diretrizes."
O porta-voz descartou a possibilidade de afastamento do governo de qualquer um dos dois ministros. "Não tenho conhecimento disso", declarou Lamazire, reafirmando que a atitude do presidente em relação à briga pública entre os dois ministros foi "enérgica".
Georges Lamazire disse ter certeza de que as bolsas reagirão positivamente depois de tomar conhecimento das suas declarações, em apoio à política econômica comandada pelo ministro Malan. "A estabilidade é a pedra fundamental do governo e a política econômica não vai mudar", observou o porta-voz explicando que "estabilidade econômica não se opõe ao desenvolvimento".
Fernando Henrique almoçou hoje com Malan e Clóvis, no Palácio da Alvorada, depois de ambos participarem, ao lado de outros ministros, da reunião sobre avaliação do Mercosul. "E não se conversou sobre isso", acentuou Lamazire acrescentando que "justamente por o presidente considerar que as diferenças são de caráter meramente retórica não houve nada o que conversar sobre o assunto." Indagado se o presidente ficou irritado sobre a nova divergência pública entre os ministros, o porta-voz disse que o presidente não quis comentar o teor dos discursos.


